Pão de queijo é o 3º melhor prato do Brasil; queijo canastra também ganha posição de destaque – Foto: reprodução
A culinária brasileira ganhou destaque internacional após o TesteAtlas — conhecido como a “enciclopédia dos sabores” — divulgar seu ranking com as 100 melhores comidas do país. Entre pratos de todas as regiões, dois símbolos de Minas Gerais chamaram atenção pela excelente colocação: o pão de queijo, no 3º lugar, e o queijo canastra, entre os mais bem avaliados, reforçando a força da gastronomia mineira no levantamento.
Os dois produtos, símbolos de Minas Gerais, chamaram a atenção de usuários do mundo inteiro que contribuíram com milhares de avaliações sobre receitas, ingredientes e preparos tradicionais. Segundo o levantamento, o pão de queijo figura entre os preferidos por sua combinação de simplicidade, textura e sabor inconfundível, enquanto o queijo canastra foi elogiado por sua maturação artesanal e por representar uma das tradições mais importantes da gastronomia mineira.
Apesar do destaque mineiro, a lista segue diversa e reforça a força do churrasco brasileiro. A campeã foi a picanha, que além do topo nacional também garantiu o 3º lugar no ranking mundial. Costela, contrafilé, filé mignon e carne de sol também aparecem em posições de destaque. A feijoada, um dos pratos mais emblemáticos do país, chamou atenção por surgir apenas no 21º lugar.
Doces que encantaram os avaliadores
O Brasil também brilhou no campo das sobremesas. Receitas tradicionais como doce de leite, pudim de leite condensado, brigadeiro, quindim, pavê, sagu e baba de moça ficaram entre as melhores colocações, mostrando como influências indígenas, africanas e europeias se combinam para formar a doçaria brasileira.
Sabores regionais aparecem com força
Outro ponto marcante do ranking é a valorização de pratos típicos de várias regiões. Receitas como tacacá, moqueca baiana, baião de dois, cuscuz nordestino, tambaqui na brasa, galinhada, barreado e pato no tucupi reforçam a diversidade do país e mostram como a culinária expressa cultura, clima e identidade.
Confira a lista completa das 100 melhores comidas brasileiras segundo o TesteAtlas
1. Picanha 2. Bife à parmegiana 3. Pão de queijo 4. Costela 5. Contrafilé 6. Doce de leite 7. Pudim de leite condensado 8. Coxinha 9. Escondidinho 10. Pastel 11. Mousse de maracujá 12. Feijão tropeiro 13. Bobó de camarão 14. Vaca atolada 15. Queijo coalho 16. Filé mignon 17. Pavê 18. Tacacá 19. Moqueca baiana 20. Queijo canastra 21. Feijoada 22. Bolo de brigadeiro 23. Beijinho 24. Brigadeiro 25. Queijo minas 26. Baião de dois 27. Estrogonofe 28. Arrumadinho 29. Bombocado 30. Tutu de feijão 31. Tambaqui na brasa 32. Acarajé 33. Bolo de rolo 34. Açaí na tigela 35. Vatapá 36. Cartola 37. Farofa 38. Carne de sol 39. Arroz carreteiro 40. Cachorro-quente 41. Romeu e Julieta 42. Casquinhas de siri 43. Carne de sol 44. Cuscuz nordestino 45. Abará 46. Filé de costela 47. Filé Oswaldo Aranha 48. Rabanada 49. Bolinho de bacalhau 50. Quindim 51. Galinhada 52. Pirão 53. Bolinho de chuva 54. Bauru 55. Creme de papaia 56. Beirute 57. Pamonha 58. Curau 59. Virado paulista 60. Barreado 61. Baba de moça 62. X-tudo 63. Canjica 64. Cajuzinho 65. Caruru 66. Casadinho 67. Coxão mole 68. Patinho 69. Biscoito de polvilho 70. Salpicão de frango 71. Queijo prato 72. Sanduíche de mortadela 73. Bolo formigueiro 74. Quibebe 75. Salada de maionese 76. Peito 77. Paleta 78. Músculo 79. Sequilhos 80. Mocotó 81. Sagu 82. Tareco 83. Lagarto 84. Acém 85. Pato no tucupi 86. Maria mole 87. Arroz com pequi 88. Cuscuz paulista 89. Bolo de bruxa 90. Bolo de mandioca 91. Chambari 92. Sopa Leão Veloso 93. Panelada 94. Aba de filé 95. Capa de filé 96. Ponta de agulha 97. Olho de sogra 98. Caldo de piranha 99. Acaçá 100. Baixaria
Pacheco afirma que vaga no STF é ‘página virada’ e que foco é definir candidatura ao governo de Minas – Foto: reprodução
O senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) afirmou nesta quinta-feira (27) que considera encerrada a discussão sobre uma eventual indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF) e que seu foco passa a ser a definição sobre uma possível candidatura ao governo de Minas Gerais em 2026 ou a saída da vida pública ao fim do mandato.
A declaração foi dada após sessão da comissão especial do Senado que discute o novo Código Civil. Pacheco comentou a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que escolheu o advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga aberta no STF com a aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso. Messias ainda precisa ser sabatinado pelo Senado.
“Da minha parte, em relação a essa situação, eu considero isso uma página virada, bem amadurecida”, afirmou o senador, ao ser questionado sobre o tema.
Enquanto Pacheco declara que avalia inclusive deixar a política em 2026, setores do PT em Minas Gerais trabalham para que ele dispute o governo do estado. Em reunião em Brasília, na terça-feira (25), a presidente estadual do PT, deputada Leninha, tratou do tema com a bancada do partido na Câmara dos Deputados.
Segundo participantes do encontro, houve consenso de que o PT mineiro não afastou a ideia de apoiar Pacheco como candidato ao governo. A avaliação interna é que o partido pode aguardar uma decisão definitiva do senador, que transmitiu recentemente a Lula a possibilidade de encerrar a trajetória política ao fim do atual mandato.
No mesmo encontro, dirigentes e parlamentares petistas também trataram da composição da chapa para o Senado. A prefeita de Contagem, Marília Campos, foi apontada como nome em construção para disputa à vaga de senadora, com apoio de diferentes grupos internos do PT.
Aliados articulam para evitar saída de cena
Paralelamente às declarações públicas de dúvida sobre seu futuro, aliados de Pacheco articulam para convencê-lo a permanecer na política e disputar o governo mineiro em 2026. Integrantes de sua base relatam que pretendem fazer um movimento organizado, porém discreto, para apresentar ao senador um cenário em que consideram haver condições de vitória.
Segundo interlocutores, o argumento central é o de que Pacheco poderia se tornar o nome de unificação de segmentos da centro-esquerda e de campos próximos, em torno de uma candidatura competitiva ao Palácio Tiradentes. Esse grupo vê na possível aliança com o PT e no apoio direto de Lula um fator relevante na montagem da campanha no estado.
De acordo com relatos, prefeitos e deputados ligados ao senador planejam encontros e conversas para demonstrar a ele que haveria base territorial, tempo de televisão e palanque nacional suficientes para uma disputa em Minas, sobretudo se houver alinhamento com programas federais em execução no estado.
Definição passa por consultas
Na fala desta quinta-feira, Pacheco reforçou que qualquer decisão sobre o futuro político passará por consultas à sua base em Brasília e em Minas. “Cabe agora sentar com meus companheiros do Senado e companheiros de Minas Gerais para decidir sobre a candidatura”, declarou.
O senador também destacou que mantém canais de diálogo com diferentes campos. “Converso com todo mundo. Até com meus adversários políticos eu dialogo”, afirmou, atribuindo a prática ao funcionamento das instituições democráticas.
Caso opte pela disputa ao governo, Pacheco terá ainda de resolver o destino partidário. Com o PSD abrigando a pré-candidatura de Mateus Simões, o senador conversa com outras siglas, entre elas PSB, MDB e União Brasil. O grau de autonomia que cada partido poderia assegurar em uma campanha estadual é apontado por pessoas próximas como fator determinante.
No PT mineiro, as movimentações em torno de Pacheco são vistas em conjunto com a tentativa de organizar o palanque de Lula no estado. A construção da possível candidatura de Marília Campos ao Senado e a expectativa sobre a decisão do senador compõem o desenho inicial da aliança para 2026.
Dirigentes petistas avaliam que Pacheco poderia funcionar como ponto de convergência entre setores que hoje se encontram dispersos no campo progressista em Minas. Para isso, porém, será necessário que o senador confirme a permanência na vida pública e aceite liderar uma chapa estadual em coordenação com a estratégia nacional do Planalto.
Turista do Sul de Minas chama policial de ‘nordestino nojento’ e promete vingança ao ser preso em Maceió – Foto: reprodução
Um turista de 24 anos foi preso após xingar um policial de “nordestino nojento” em Maceió. O homem, natural de Poços de Caldas, no Sul de Minas, foi abordado pela polícia após se envolver em uma briga. Segundo a Polícia Civil de Alagoas, ele foi revistado por uma equipe da Operação Policial Litorânea Integrada na noite do sábado.
Homem teria falado que era mineiro e disse que o policial deveria “abordar nordestinos”. Ao ser revistado, ele afirmou: “Não toque em mim, seu nordestino nojento”, segundo relatório de ocorrência.
O turista foi detido em flagrante pelo crime de injúria preconceituosa e, segundo a polícia, reagiu à prisão. Ele foi levado a uma Unidade de Pronto Atendimento para avaliação médica e, em seguida, à Central de Flagrantes.
Na unidade de saúde e na delegacia, o turista teria repetido as injúrias. A polícia informou que o turista xingou o policial novamente e disse que iria “tomar as providências para se vingar” dele. O nome do turista preso não foi divulgado pela polícia.
O crime de injúria preconceituosa, equiparado ao crime de racismo em 2023, é inafiançável. Ele se caracteriza quando alguém ofende uma pessoa por sua raça, cor, etnia, religião, origem ou condição.
Um jovem morreu no último domingo (30) depois de ser atacado por uma leoa ao entrar em uma jaula no Parque Arruda Câmara, conhecido como Bica, em João Pessoa.
A Prefeitura de João Pessoa informou, em nota, que o homem escalou rapidamente uma parede de mais de 6 metros, passou pelas grades de segurança, usou uma árvore como apoio e entrou no recinto da leoa.
Vídeos feitos por visitantes mostram o homem subindo por uma estrutura lateral da jaula. Depois, ele usa a árvore como apoio para entrar no espaço. Logo em seguida, é atacado pela leoa.
A Polícia Militar e o Instituto de Polícia Científica da Paraíba (IPC) foram acionados e estiveram no local.
O homem que entrou na jaula foi identificado como Gerson de Melo Machado, de 19 anos. Ele tinha transtornos mentais.
O zoológico foi fechado após o ataque e as visitas estão suspensas. Ainda não há previsão para reabertura. No momento em que o homem entrou na jaula, o parque estava aberto e recebia visitantes.
A prefeitura disse que já começou a apurar as circunstâncias do caso, manifestou solidariedade à família da vítima e afirmou que o espaço segue normas técnicas e de segurança.
Homem é morto por leoa após entrar em jaula em zoológico de João Pessoa – Foto: redes sociais/reprodução
Consumidor terá redução no preço da energia elétrica em dezembro – Foto: reprodução
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou na sexta-feira (28) que a bandeira tarifária em dezembro passou da vermelha no patamar 1, em novembro, para amarela em dezembro.
Isso significa que a pessoa deixa de pagar R$ 4,46 a cada 100 quilowatts-hora (KW/h) consumidos e passa a pagar R$ 1,885.
De acordo com a Aneel, a entrada do período chuvoso no país, a previsão de chuvas para dezembro é superior às chuvas que ocorreram em novembro, na maior parte do país.
“Contudo, essa expectativa de chuvas está, em geral, abaixo da sua média histórica para esse mês do ano. Diante de condições de geração de energia um pouco mais favoráveis, foi possível mudar da bandeira vermelha patamar 1 para amarela. Por isso, o acionamento das termelétricas continua sendo essencial para atender à demanda”, informou a Agência.
A Aneel acrescentou “que a geração solar é intermitente e não fornece energia de forma contínua, especialmente no período noturno e nos horários de maior consumo”. A redução ocorre após a adoção da bandeira vermelha patamar 1 em outubro e novembro.
Em agosto e setembro, a Aneel havia acionado a bandeira vermelha patamar 2, com adicional de R$ 7,87 por 100 kWh.
Custos extras
Criado em 2015 pela Aneel, o sistema de bandeiras tarifárias reflete os custos variáveis da geração de energia elétrica. Divididas em cores, as bandeiras indicam quanto está custando para o Sistema Interligado Nacional (SIN) gerar a energia usada nas residências, em estabelecimentos comerciais e nas indústrias.
Quando a conta de luz é calculada pela bandeira verde, não há nenhum acréscimo. Quando são aplicadas as bandeiras vermelha ou amarela, a conta sofre acréscimos a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos.
Merenda escolar aos sábados, domingos e feriados avança na Assembleia – Foto: reprodução
Merenda escolar nos sábados, domingos e feriados pode virar realidade na rede estadual de Minas Gerais. Na última quarta-feira (26), a proposta recebeu aval da Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária da Assembleia Legislativa e agora está pronta para ser votada em plenário.
De autoria do deputado Bruno Engler (PL), a proposta original era instituir no Estado o programa “Merenda Feliz”, criando nova legislação para autorizar o governo a fornecer alimentação escolar aos alunos da rede estadual nos fins de semana e feriados.
O texto, no entanto, recebeu um substitutivo do deputado Antonio Carlos Arantes (PL), que inclui a proposta como uma diretriz da Política Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável (Pesans).
O parlamentar justificou que o texto da Comissão do Trabalho, que propunha ampliar o fornecimento de merenda escolar para o período de recesso e para famílias em vulnerabilidade social, implicaria aumento das despesas públicas e a mudança no texto indicaria uma solução.
“Infelizmente, existem números alunos carentes em Minas Gerais que não têm uma alimentação adequada em casa e só se alimentam no ambiente escolar.” A insegurança alimentar é uma triste realidade do Brasil e de Minas Gerais, que precisa ser atacada de frente pelo poder público. Por isso, propomos a iniciativa de se instituir no Estado um programa de merenda escolar nos finais de semana”, justificou o deputado Bruno Engler no texto do projeto.
Motoristas de aplicativo podem ser obrigados a instalar câmeras nos veículos em Minas – Foto: reprodução
Motoristas de aplicativo em Minas podem ser obrigados a instalar câmeras de segurança dentro dos carros. A medida está prevista no Projeto de Lei (PL) 3.470/25, que recebeu parecer pela legalidade, na última terça-feira (25), na Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).
A proposta, do deputado Charles Santos (Republicanos), tramita em 1º turno. O texto informa que o foco é reforçar a segurança de motoristas e passageiros, ampliando as medidas já previstas na Lei 25.003/2024 – norma que trata do uso de dados pessoais, cadastro e regras básicas de segurança para condutores de aplicativos.
O ponto central do novo texto é justamente a inclusão obrigatória de câmeras internas, item que não existia na lei em vigor. O relator, deputado Thiago Cota (PDT), apresentou o substitutivo nº 1 para inserir a exigência no dispositivo de 2024. Pelo projeto, os motoristas deverão arcar integralmente com os custos da instalação.
Na internet, modelos de câmeras para veículos variam, podendo custar de R$ 72 a mais de R$ 1.000, dependendo da tecnologia, qualidade de imagem, armazenamento e funções adicionais.
O que pode mudar para motoristas de aplicativo em Minas
Se o PL 3.470/25 for aprovado:
Instalação obrigatória de câmeras internas: Todos os veículos usados para transporte por aplicativo deverão ter sistema de videomonitoramento.
Motorista paga o custo total: Os equipamentos ficarão sob responsabilidade financeira do condutor. Hoje, câmeras desse tipo custam entre R$ 72 e mais de R$ 1.000 na internet.
Regras passam a integrar a lei de segurança dos apps: O projeto inclui a exigência na Lei 25.003/2024, que já regula cadastro e uso de dados de usuários e motoristas.
Regulamentação posterior: Após aprovação, caberá ao governo e aos municípios detalhar como será a instalação, exigências técnicas, prazos e fiscalização.
Projeto da Ufla transforma equipamentos apreendidos pela Receita Federal em computadores para escolas – Foto: reprodução/EPTV
Um projeto desenvolvido no Instituto de Ciências Exatas e Tecnológicas (Icet) da Universidade Federal de Lavras (Ufla) está dando novo destino a equipamentos que, até pouco tempo, seriam simplesmente descartados. TV Boxes apreendidas pela Receita Federal estão sendo convertidas em mini computadores voltados para escolas públicas.
Esses aparelhos, originalmente usados para transformar televisores comuns em Smart TVs, possuem hardware que permite reaproveitamento. Com ajustes técnicos e a instalação de um software próprio, eles passam a oferecer recursos suficientes para navegação na internet, produção de textos, pesquisas escolares e outras atividades pedagógicas.
Segundo o professor Luiz Henrique Andrade Correia, do Departamento de Ciência da Computação e coordenador da iniciativa, o processo envolve reconhecer toda a estrutura interna dos dispositivos e adaptá-los para um novo funcionamento.
Criado em 2022, o projeto já converteu 500 unidades e tem uma meta ambiciosa: alcançar a marca de 3 mil equipamentos entregues até março de 2026. Depois de reformulados, os aparelhos são enviados ao Ministério das Comunicações, responsável por distribuí-los às instituições de ensino da região. A ação integra o programa Computadores para Inclusão.
Além de facilitar o acesso à tecnologia por estudantes, a iniciativa também reduz impactos ambientais ao evitar que toneladas de resíduos eletrônicos sejam descartadas.
Megaoperação mira empresa do setor de combustível e 190 suspeitos por fraude fiscal de R$ 26 bilhões em MG – Foto: divulgação
Uma megaoperação deflagrada na manhã desta quinta-feira (27) visa buscar provas de um esquema que causou prejuízo de R$ 26 bilhões aos cofres dos governos federal e de diversos estados.
Agentes foram às ruas para cumprir mandados contra 190 alvos ligados ao Grupo Refit, dono da antiga refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro, e dezenas de empresas do setor de combustíveis.
Os alvos da operação são suspeitos de integrarem uma organização criminosa e de praticarem crimes contra a ordem econômica e tributária e lavagem de dinheiro.
A investigação abrange todos os níveis da cadeia de combustíveis, da importação à comercialização ao consumidor final. O grupo tem núcleo no estado do Rio de Janeiro e atuação em praticamente todo o território nacional.
Comandado por Ricardo Magro, o Grupo Refit é considerado o maior devedor de Imposto sobre Circulação de Mercadorias ou Serviços (ICMS) de São Paulo, o segundo maior do Rio de Janeiro e um dos maiores da União.
Magro chegou a ser preso acusado de participar de um esquema na área de educação que envolvia fundos de pensão. Depois, foi inocentado pela Justiça e se mudou para Miami, nos Estados Unidos.
O dono do Grupo Refit ficou conhecido nacionalmente como advogado do ex-deputado federal Eduardo Cunha e é próximo do senador Ciro Nogueira (PP-PI).
Mandados cumpridos no DF e em seis estados
A Justiça emitiu 126 mandados de busca e apreensão, que estão sendo cumpridos no Distrito Federal e nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Maranhão, desde o início da manhã desta quinta.
A ação mobiliza 621 agentes públicos, entre promotores de Justiça, auditores fiscais da Receita Federal, das secretarias da Fazenda do município e do estado de São Paulo, além de policiais civis e militares.
Batizada de Poço de Lobato, a operação é fruto de uma investigação do Comitê Interinstitucional de Recuperação dê Ativos (Cira-SP) em parceria com a Receita Federal e a Procuradoria da Fazenda Nacional.
O Cira-SP conseguiu o bloqueio de R$ 8,9 bilhões de pessoas envolvidas no esquema. Já a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional conseguiu a indisponibilidade de mais R$ 1,2 bilhão da organização criminosa.
O Cira-SP funciona como uma força-tarefa permanente para combater a sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e outros crimes, além de recuperar ativos desviados ou ocultos. Ele reúne órgãos como Ministério Público, Procuradoria e Secretaria de Fazenda e Segurança Pública.
Relações com esquema do PCC
A Receita Federal aponta que o grupo alvo da ação desta quinta-feira mantém relações financeiras com empresas e pessoas ligadas à Operação Carbono Oculto, realizada em agosto de 2025.
A Operação Carbono Oculto revelou a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) na cadeia de produção e distribuição de combustíveis, com uso de fintechs e fundos de investimento.
O Grupo Refit foi citado na Carbono Oculto. Não foi alvo de busca e apreensão, mas apareceu em documentos como sucessora de uma empresa já abatida pelas autoridades, a Copape.
Segundo os investigadores, a Copape era um braço do esquema do PCC comandado por Mohamad Hussein Mourad, o Primo, e Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco.
O elo entre Refit e Copape seria a distribuidora Rodopetro, que compra combustível da Refit para revender aos postos.
Grupo teve quatro navios apreendidos
O Grupo Refit foi alvo da recente Operação Cadeia de Carbono, na qual foram retidos quatro navios contendo aproximadamente 180 milhões de litros de combustível.
Em decorrência dessa operação, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) determinou a interdição da refinaria após constatar diversas irregularidades.
Entre elas, a suspeita de importação com falsa declaração do conteúdo (gasolina importada declarada como derivados de petróleo para industrialização), ausência de evidências do processo de refino e indícios de uso de aditivos químicos não autorizados pela regulamentação, pois alteram as características do produto e podem indicar tentativa de adulteração do produto vendido ao consumidor.
Segundo os investigadores, o esquema de sonegação do Grupo Refit também envolve uso de fintechs e fundos de investimento. Formuladoras, distribuidoras e postos de combustíveis também vinculados ao grupo sonegavam reiteradamente tributos em suas operações de venda, segundo a Refeita Federal.
Fraudes por meio de complexas operações financeiras
Os valores do grupo eram concentrados em empresas financeiras controladas pelo próprio grupo, ainda de acordo com a Receita Federal.
O órgão identificou que uma grande operadora financeira, que não teve o nome divulgado, atuava como sócia de outras instituições que também prestavam serviços ao grupo.
Esse núcleo movimentou mais de R$ 72 bilhões entre o segundo semestre de 2024 e o primeiro semestre de 2025, por meio de complexas operações financeiras, usando empresas próprias, fundos de investimento e offshores — incluindo uma exportadora fora do Brasil — para ocultar e blindar lucros.
“Assim como na Carbono Oculto, foram exploradas brechas regulatórias, como as ‘contas-bolsão’, que impedem o rastreamento do fluxo dos recursos. A principal financeira tinha 47 contas bancárias em seu nome, vinculadas contabilmente às empresas do grupo”, diz a Receita em comunicado sobre a operação desta quinta.
A Receita diz que, após a paralisação das distribuidoras ligadas à Carbono Oculto, o grupo alvo da Poço de Lobato alterou totalmente sua estrutura financeira, substituindo o modelo usado desde 2018 por outro com novos operadores e empresas.
“O dinheiro ilícito era reinvestido em negócios, propriedades e outros ativos por meio de fundos de investimento, dando aparência de legalidade e dificultando o rastreamento”, afirma a Receita.
A Receita Federal já identificou 17 fundos ligados ao grupo, que somam patrimônio líquido de R$ 8 bilhões. “Em sua maioria, são fundos fechados com um único cotista, geralmente outro fundo, criando camadas de ocultação. Há indícios de que as Administradoras colaboraram com o esquema, omitindo informações à Receita Federal”, afirma o órgão.
Importadoras atuavam como interpostas pessoas, adquirindo do exterior nafta, hidrocarbonetos e diesel com recursos proveniente de formuladoras e distribuidoras vinculadas ao grupo, ainda segundo a Receita.
Apenas entre 2020 e 2025, foram importados mais de R$ 32 bilhões em combustíveis pelos investigados, conforme a investigação que resultou na Operação Poço de Lobato.
Entidades constituídas nos Estados Unidos
A análise dos fundos identificou a participação de entidades estrangeiras como sócias e cotistas, além da coincidência de representantes legais entre offshores e fundos.
Essas entidades foram constituídas em Delaware, nos Estados Unidos, jurisdição conhecida por permitir a criação de empresas do tipo LLC com anonimato e sem tributação local, desde que não gerem renda em território norte-americano.
“Por meio dessa estrutura, as entidades deixam de ser tributadas tanto nos EUA quanto em território nacional. Tal prática, é comumente associada a estratégias voltadas à lavagem de dinheiro ou blindagem patrimonial dos envolvidos”, observa a Receita.
Uma das principais operações internacionais do Grupo Refit que chamou a atenção da Receita envolveu a aquisição de uma exportadora em Houston, Texas, da qual foram importados combustíveis no valor de mais de R$ 12,5 bilhões entre 2020 e 2025.
“Já foram identificadas mais de 15 offshores nos EUA, que remetem recursos para aquisição de participações e imóveis no Brasil, totalizando cerca de R$ 1 bilhão”, ressalta a Receita.
“Também foram detectados envios ao exterior superiores a R$ 1,2 bilhão sob a forma de contratos de mútuo conversíveis em ações, que podem retornar ao Brasil como investimentos por meio de outras offshores, fechando o ciclo”, completa o órgão.
O nome da operação desta quinta faz referência ao primeiro poço de petróleo perfurado no Brasil, em 1939, no bairro Lobato, em Salvador (BA), marco inicial da exploração petrolífera nacional.
Dupla é condenada a mais de 21 anos de prisão por latrocínio de taxista em Bom Jesus da Penha – Foto: redes sociais
Dois homens foram sentenciados a 21 anos e três meses de prisão, além do pagamento de multa, pelo latrocínio que tirou a vida de um taxista de 46 anos em dezembro de 2024. A decisão judicial fixou o regime fechado para o início do cumprimento da pena. Ambos permaneceram detidos preventivamente desde o começo da investigação.
A denúncia apresentada pelo Ministério Público aponta que o motorista, Helio Leite Simões, havia sido contratado para uma corrida entre São Roque de Minas e Bom Jesus da Penha. Durante o percurso, os dois passageiros anunciaram o assalto, tomando o carro, o telefone da vítima e realizando uma transferência via Pix.
Conforme detalhado na acusação, os assaltantes conduziram o taxista até uma área de mata, onde ele foi agredido e amarrado a uma árvore pelos pés e mãos. Dias depois, o corpo foi encontrado parcialmente submerso no córrego Ribeirão das Palmeiras, na zona rural de Bom Jesus da Penha. Os autores do crime foram localizados e presos no município de Jaíba, no Norte de Minas, e confessaram sua participação.
A promotora de Justiça Anna Catharina Machado Normanton destacou que a condenação representa o encerramento de um processo considerado essencial “para garantir justiça e trazer paz aos familiares da vítima”. O Ministério Público também solicitou que os réus indenizem a família em R$ 240 mil.
Helio Leite Simões foi enterrado na comunidade rural de São Roque de Minas, onde residia.
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