
Como estratégia de ampliação ao combate ao vírus da dengue, que, só no ano passado, acometeu 1,6 milhão de pessoas e matou outras 1.700 em todo o país, o Ministério da Saúde começa, neste sábado (17/01), a aplicar a vacina produzida pelo Instituto Butantan. O imunizante é o primeiro e único até agora a garantir a imunização com apenas uma dose de vacina. A ampliação da oferta, prevista para os próximos meses, deverá garantir a disponibilidade de imunizantes para toda a população até o segundo semestre de 2026, conforme planejamento do Ministério da Saúde.
Atualmente, o país conta com a vacina Qdenga, produzida pela chinesa Takeda Pharma, que, mesmo disponível na rede pública de saúde, ainda tem procura abaixo do esperado, que é de 90%. Só em Belo Horizonte, por exemplo, a cobertura vacinal da primeira dose está em 59,9% e a da segunda dose, em 29,9%.
Ao contrário da estrangeira (que está sendo aplicada na capital em crianças e adolescentes), a produzida no Butantan, inicialmente, será aplicada em pessoas de 15 a 59 anos, e apenas as cidades de Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG) serão contempladas com as primeiras 300 mil doses, das 1,300 milhão já produzidas até agora.
“Temos uma questão de limitação na estrutura, mas estamos fazendo investimentos para a produção no Butantan, além de uma parceria com uma farmacêutica chinesa que vai auxiliar na produção das doses do mesmo formato que são feitas aqui no Brasil”, afirmou o diretor de Departamento do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, Eder Gatti.
As outras 1 milhão de doses chegarão a todo o país para imunizar profissionais de saúde da atenção primária até o final de janeiro e a expectativa é que no segundo semestre, o restante da população comece a ser imunizada. “Foi quase uma década de estudos muito bem feitos para que essa vacina fosse desenvolvida, testada, segura e, agora, pronta para ser aplicada. Ela é a única no mundo em dose única, protege contra os quatro sorotipos da doença”, garantiu Gatti.
Desde a incorporação da Qdenga, em 2024, 7,9 milhões de doses já foram aplicadas. O diretor do PNI explicou que, como parte da estratégia, o SUS vai continuar oferecendo a vacina para adolescentes de 10 a 14 anos.
“É importante reforçar que a principal forma de combate à dengue, chikungunya e zika segue sendo a eliminação dos criadouros do mosquito Aedes aegypti. A vacinação se soma às ações de controle vetorial, uso de inseticidas, testes rápidos e tecnologias inovadoras”, pontou.
Imunização de rebanho
A escolha dos municípios se deu por uma questão de estrutura e expertise para a quarta e última fase de testes da vacina, que, segundo o diretor, corresponde a uma análise da cobertura após a vacinação em massa. Na pandemia de Covid-19, as cidades se destacaram na metodologia, celeridade e estudos nos resultados.
“Precisamos saber qual impacto que a vacina vai ter na dinâmica da população, porque, para uma doença circular, precisa de duas coisas: a pessoa suscetível e o mosquito. Por isso, precisamos eliminar o mosquito e imunizar as pessoas. Há estudos que mostram que se a gente conseguir que metade da população deixe de ser suscetível, seja por ter pego a doença ou por se vacinar, a doença para de circular, e aí temos a proteção inclusive dos não vacinados, o chamado efeito rebanho”, disse.
Neste sábado, além das Unidades Básicas de Saúde (UBS´s) dois vacimóveis vão aplicar os imunizantes de 9h às 16h, na Praça Bernardino de Lima (Centro) e no Serena Mall (Regional Norte).
Dados de 2025 mostram que Minas Gerais, em 2025, confirmou 118.416 casos da doença e provocou 148 óbitos. Este ano, segundo dados do Boletim Epidemilogico da Secreatária de Estado de Saúde, existem 964 cados prováveis da doença e 119 casos confirmados. Até agora, não houve óbitos por dengue.