Nova variante da Covid provoca rouquidão e pode ser confundida com gripe – Foto: reprodução
Uma nova cepa da Covid-19, identificada como XFG, acendeu o alerta no Piauí. A Secretaria de Estado da Saúde confirmou, na última quinta-feira, 11 de setembro, a primeira morte relacionada à variante, registrada no município de Oeiras.
Com sintomas leves, mas que podem ser confundidos com gripe, como rouquidão, tosse e fadiga, a XFG já foi encontrada em metade das amostras analisadas no estado. Segundo Marylane Oliveira, gerente de Vigilância em Saúde da Sesapi, das 42 coletas submetidas a exames, 21 confirmaram a presença da nova variante.
“Já foram identificados alguns no Rio de Janeiro, mas recente no Ceará e agora no Piauí. Tivemos 42 amostras e 21 confirmaram a variante XFG, mas o que sabemos até agora é que o comportamento dela tem a rouquidão, tosse, dor de garganta, cansaço”, afirma Marylane.
As Unidades Básicas de Saúde (UBS) e as Unidades de Pronto Atendimento (UPA) estão com estoques de testes rápidos disponíveis gratuitamente. A recomendação é que o exame seja feito até 72 horas após o início dos sintomas, para aumentar a precisão do diagnóstico.
Marylane destacou que o tempo seco favorece problemas respiratórios e pode confundir o quadro clínico da população.
“Neste período do ano em que as pessoas estão mais expostas ao tempo seco, os problemas respiratórios são mais frequentes. Então a agente precisa ter cuidado, porque a pessoa que adoece vai procurar o serviço de saúde seja por conta de uma ressecamento da garganta, uma rouquidão, tosse então e importante ter muito cuidado nesse período “, diz a gerente.
O material coletado nos municípios é analisado e enviado à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que consolida os dados para monitoramento.
“A questão da variante é que a gente precisa coletar um material mais especializado. Esse material é enviado para um laboratório central, que é o Lacem. Do Lacem é feito um procedimento que é o RT-PCR, que é uma espécie de painel viral, e com as amostras positivadas elas são encaminhadas para a Fiocruz”, relata.
O tratamento segue o mesmo protocolo adotado para outras variantes: hidratação e acompanhamento médico em casos de comorbidades ou condições mais graves.
Entre janeiro e setembro deste ano, o Piauí já registrou 1.957 casos de Covid-19 e 17 mortes, segundo a Sesapi.
ALMG aprova em 1º turno projeto que garante cannabis medicinal no SUS – Foto: reprodução
O incentivo ao uso medicinal da cannabis e à pesquisa científica envolvendo a planta está mais próximo de virar lei em Minas Gerais. O Projeto de Lei (PL) 3.274/21, da deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT), foi aprovado em 1º turno pelo Plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) nesta quarta-feira (24/9).
A proposta obriga o fornecimento, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), de medicamentos à base de cannabis e cria uma política estadual de incentivo à pesquisa científica sobre a planta para fins medicinais e terapêuticos. O texto aprovado é o substitutivo nº 4, elaborado pela Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária (FFO), que incorporou emenda apresentada pelo deputado Sargento Rodrigues (PL).
Uma das mudanças feitas ao longo da tramitação restringiu o apoio de instituições públicas estaduais ao cultivo, colheita e manipulação de sementes, mudas, insumos e derivados da cannabis apenas às pessoas jurídicas — excluindo, portanto, pessoas físicas. O relator Zé Guilherme (PP), presidente da FFO, defendeu a alteração alegando que o cultivo e a manipulação “exigem rigorosos controles técnicos e administrativos” para assegurar o cumprimento das normas da Anvisa e da legislação federal sobre substâncias sujeitas a controle especial.
“Avanço importante”, diz deputada
Em entrevista exclusiva ao Estado de Minas, Beatriz Cerqueira destacou a relevância da aprovação.
“O parecer aprovado no plenário hoje é muito importante porque estabelece uma política estadual de incentivo à pesquisa científica sobre a cannabis para fins medicinais e terapêuticos e para tratamento de saúde. Vai assegurar, no artigo 5º, o direito ao tratamento de saúde com produtos da cannabis no SUS, o que é um avanço importante, já que Minas é um dos poucos estados que ainda não têm uma lei a respeito”, afirmou.
A deputada ressaltou ainda que a proposta reconhece associações que já atuam no tema, fomenta a pesquisa científica e o fortalecimento de instituições de inovação, estimula campanhas de esclarecimento à população e prevê a formação de profissionais da saúde para o uso de produtos derivados da cannabis.
“O Estado poderá celebrar convênios e parcerias com associações, instituições de pesquisa, universidades e órgãos governamentais. É um parecer bem completo. Realizamos debate público e duas audiências para ouvir a sociedade. Agora, aprovado em 1º turno, o projeto volta para a FFO para parecer de 2º turno e depois retorna ao plenário para a votação final”, completou.
Próximos passos
O PL 3.274/21 foi apresentado em 2021 e já passou pelas comissões de Constituição e Justiça, Saúde e Fiscalização Financeira e Orçamentária. O texto recebeu quatro substitutivos ao longo da tramitação, com ajustes que ampliaram o alcance da política pública, incluindo a distribuição de produtos à base de cannabis, ações educativas e estímulo à pesquisa científica.
Agora, o projeto retorna à FFO para análise em 2º turno e, em seguida, poderá ser votado novamente em Plenário.
Lago de Furnas opera com apenas 48% da capacidade e acende alerta na região – Foto: Reprodução/EPTV
O Lago de Furnas, um dos principais reservatórios de Minas Gerais e fonte vital para turismo, piscicultura, geração de energia e diversas atividades econômicas, enfrenta impactos significativos da estiagem prolongada. Em setembro de 2025, o volume útil do lago chega a 48,03%, conforme dados oficiais. Embora o índice seja superior ao registrado em 2024, quando o nível estava em 42%, ele permanece distante dos melhores resultados dos últimos anos: 88,18% em 2023 e 62% em 2022.
Em várias áreas do entorno, locais que deveriam estar cobertos por água agora exibem extensões de pastagem seca. O nível do lago encontra-se abaixo da cota de 762 metros, considerada mínima para garantir o funcionamento adequado das atividades turísticas e econômicas da região.
De acordo com Fausto Costa, secretário-executivo da Associação dos Municípios do Lago de Furnas (Alago), a situação gera preocupações econômicas, sociais e ambientais. Ele aponta que o turismo, responsável por movimentar mais de 50 atividades e impulsionar a economia regional, é um dos setores mais prejudicados. A piscicultura também sofre impactos severos: a oscilação do nível da água deteriora plantações submersas, reduz o oxigênio disponível e compromete o pescado, afetando tanto pescadores profissionais quanto artesanais.
Costa ressalta que o problema não se limita às chuvas, envolvendo também a necessidade de políticas públicas e estratégias de gestão eficientes. Segundo ele, há mais de duas décadas os municípios articulam com órgãos governamentais a adoção de um uso mais racional da água do lago. Embora o reservatório abasteça outras hidrelétricas, ele defende que sejam consideradas alternativas de geração de energia para reduzir a dependência hidrelétrica e garantir níveis seguros para a manutenção da economia regional.
A análise jurídica e as discussões em andamento reforçam a urgência de medidas estruturais que assegurem o equilíbrio entre abastecimento energético e preservação das atividades ligadas ao Lago de Furnas.
Do primeiro paciente a milhares de vidas transformadas: Radioterapia do HRC de Passos completa 15 anos – Foto: divulgação
No último dia 9 de setembro, o Hospital Regional do Câncer de Passos celebrou os 15 anos de funcionamento do seu Serviço de Radioterapia. Em 2009, nesse mesmo dia, foi realizado o primeiro atendimento a um paciente oncológico, marcando o início de uma trajetória de cuidado, esperança e dedicação à luta contra o câncer.
Desde então, mais de 10 mil pacientes já receberam tratamento no setor, que ultrapassou a marca de 1 milhão de campos irradiados. O serviço se consolidou como referência regional em qualidade e tecnologia, sendo fundamental no enfrentamento do câncer em toda a região.
O tratamento utiliza radiações ionizantes para atingir as células tumorais, danificando o DNA dessas células e impedindo que continuem se multiplicando. O grande diferencial está na precisão: a radiação é direcionada de forma a preservar os tecidos saudáveis ao redor do tumor, garantindo eficácia com segurança.
Ao longo desses anos, o setor passou por importantes evoluções. Em 2016, o HRC adquiriu a segunda máquina de radioterapia, ampliando a capacidade de atendimentos e incorporando tecnologias inovadoras, como o tratamento por IMRT (Radioterapia de Intensidade Modulada) e a radioterapia guiada por imagem, que permitem maior precisão e segurança nos procedimentos.
Agora, o serviço se prepara para um novo salto tecnológico. O primeiro equipamento de radioterapia será substituído por um modelo ainda mais moderno, adquirido através do apoio do Deputado Federal, Odair Cunha. O nocvo equipamento será capaz de realizar radiocirurgia, estereotaxia fracionada e hipofracionamento, técnicas de ponta que possibilitam tratamentos mais rápidos, eficazes e acessíveis aos pacientes.
A data reforça a importância da radioterapia no tratamento oncológico E o compromisso do Hospital Regional do Câncer em continuar investindo em inovação, estrutura e atendimento humanizado para os pacientes oncológicos de toda a região.
Jovem de São José da Barra integra equipe que avança em tratamento capaz de devolver movimento a pacientes com lesão na medula – Foto: arquivo pessoal
A estudante Maria Eduarda Antunes Silva de Oliveira, de 21 anos, natural de São José da Barra (MG), é um dos talentos por trás de uma das pesquisas mais promissoras da neurociência brasileira. Aluna de Biofísica na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde ingressou aos 17 anos, Maria Eduarda faz parte do grupo que, após mais de duas décadas de trabalho, apresentou nesta terça-feira (9) resultados que reacendem a esperança de pacientes com lesões medulares. Filha de Giseli Antunes Silva e sobrinha do vereador Tiaguinho do Bolão, ela integra a equipe que colaborou diretamente nos estudos conduzidos no Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ.
Os cientistas revelaram que um tratamento experimental à base de polilaminina – uma proteína recriada em laboratório a partir de placentas humanas – conseguiu devolver movimentos a cães e a pessoas com lesões graves na medula espinhal. A descoberta começou em 1999, quando a pesquisadora Tatiana Sampaio, doutora e professora da UFRJ, percebeu que a laminina, proteína abundante na fase embrionária, poderia ser a chave para restabelecer a comunicação entre neurônios danificados.
Entre os relatos mais emocionantes está o de Bruno Drummond de Freitas, bancário que sofreu um acidente em 2018 e acordou tetraplégico após esmagamento de parte da medula cervical. Apenas duas semanas após receber a injeção experimental de polilaminina, Bruno moveu o dedão do pé – um gesto simples que simbolizou o primeiro sucesso prático da pesquisa. Hoje, ele anda com algumas limitações, mas conquistou independência e qualidade de vida.
O estudo, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), contou com a colaboração de neurocirurgiões, fisioterapeutas e estudantes como Maria Eduarda. Marco Aurélio de Lima, especialista com mais de 30 anos de experiência em cirurgias de coluna, participou do teste clínico com oito pacientes: seis apresentaram diferentes níveis de recuperação motora, incluindo casos surpreendentes como o de Nilma Palmeira de Melo, que voltou a ficar em pé contra todos os prognósticos.
Jovem de São José da Barra integra equipe que avança em tratamento capaz de devolver movimento a pacientes com lesão na medula – Foto: reprodução
Os avanços também foram testados em cães com lesões antigas: quatro de seis animais voltaram a se movimentar. O composto teve sua patente registrada após 18 anos de estudos e, em 2021, transformou-se em um medicamento apresentado agora por uma farmacêutica brasileira.
Para que o tratamento chegue aos hospitais, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ainda precisa autorizar novos testes clínicos. Segundo Claudiosvan Martins, coordenador de pesquisa clínica da agência, as análises complementares são fundamentais para garantir a segurança da próxima fase. Especialistas reforçam que, embora o resultado seja promissor, é preciso cautela até a conclusão das etapas regulatórias.
Rússia diz que vacina contra câncer está ‘pronta para uso’; entenda por que anúncio é polêmico – Foto: reprodução
A chefe da Agência Federal de Medicina e Biologia (FMBA) da Rússia, Veronika Skvortsova, disse, na última semana, que uma vacina em desenvolvimento no país para câncer colorretal está “pronta para uso” após resultados positivos nos testes pré-clínicos. A dose, no entanto, é vista com certo ceticismo na comunidade científica pela ausência da publicação de dados em revistas científicas – todas as informações estão disponíveis apenas em comunicados do governo.
Segundo a agência de notícias estatal russa Tass, Skvortsova afirmou, durante o Fórum Econômico do Leste, na cidade de Vladivostok, que “a pesquisa (da vacina) durou vários anos, sendo os últimos três dedicados aos estudos pré-clínicos obrigatórios”, e que a dose “agora está pronta para uso, estamos aguardando a aprovação oficial”.
”Quando temos um novo medicamento, primeiro fazemos estudos pré-clínicos em laboratórios e/ou animais e, se tiver potencial, iniciamos os estudos clínicos em humanos, que são divididos em fases 1, 2 e 3. Muitas vacinas, por exemplo, têm bons resultados nas etapas iniciais, mas não passam na fase 3, porque têm muitos efeitos colaterais ou não são eficazes. Sempre que temos um novo produto precisamos passar por esse rigor para demonstrar segurança e eficácia. É isso que norteia a maior parte das agências reguladoras do mundo todo — explica Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
Os dados desses testes são geralmente publicados em revistas científicas, o que garante a confiabilidade das informações. Além disso, são encaminhados para a agência reguladora responsável, como a Anvisa no Brasil, que os avaliará para decidir sobre a aprovação ou não do novo medicamento.
No caso da vacina russa, porém, além de não haver dados publicados, a autoridade do país não especificou se o aval aguardado seria para o início dos testes clínicos em humanos, seguindo o protocolo necessário para uso na população, ou se seria diretamente para a aplicação em pacientes fora de estudos.
— Todos os dados deveriam ser compartilhados em revistas científicas, que são revisados por pares. É o que atesta a qualidade dos estudos e embasa as análises das agências. O que temos dificuldade aqui é com a transparência desses dados. Não sabemos como foram os estudos pré-clínicos, que moléculas são essas, como vão ser os testes clínicos. Países sérios cadastram todos os estudos clínicos na plataforma clinicaltrials, por exemplo — diz Kfouri.
No final do ano passado, porém, Skvortsova já havia dito que, com o fim dos testes pré-clínicos, eles estavam “prontos para começar a implementar esta vacina na prática já em 2025”. O próprio presidente russo, Vladimir Putin, já disse ter altas expectativas para o imunizante, que seria uma “inovação”.
À revista americana Newsweek, David James Pinato, médico oncologista e pesquisador clínico do Imperial College London, no Reino Unido, também afirmou que, baseado no que há disponível, do ponto de vista científico, é impossível compreender de fato em que estágio de desenvolvimento se encontra a vacina:
— Se os estudos em animais foram concluídos, a primeira autorização que poderia acontecer seria utilizar essa vacina no contexto de um ensaio clínico em ambiente de pesquisa, certamente não em uso clínico. Mas não consegui realmente encontrar muita informação sobre há quanto tempo esse tratamento vem sendo testado, onde os resultados foram apresentados, se houve algum tipo de revisão por pares desses resultados, se estamos convencidos de que esse tipo de tecnologia será realmente implementado em humanos.
A dose foi desenvolvida em conjunto por cientistas do Centro Nacional de Pesquisa em Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya, do Instituto de Pesquisa Oncológica Hertsen de Moscou e do Centro de Pesquisa do Câncer Blokhin.
De acordo com Skvortsova, nos testes pré-clínicos a vacina foi segura e levou a uma redução no tamanho dos tumores e uma desaceleração na sua progressão, que teria variado de 60% a 80%, dependendo das características da doença. Além disso, a pesquisa teria indicado um aumento nas taxas de sobrevivência.
Inicialmente, o alvo da vacina é o câncer colorretal, também conhecido como câncer de intestino, mas a autoridade disse que há avanços promissores no desenvolvimento de versões para glioblastoma, um câncer cerebral grave, e melanoma, câncer de pele mais letal.
A dose utiliza a tecnologia de RNA mensageiro (RNAm), a mesma empregada nos imunizantes contra a Covid-19 e que vem sendo estudada por outras farmacêuticas para o combate a tumores. Porém, diferente de como foi com a Covid-19, trata-se de uma vacina terapêutica, e não preventiva. Isso porque induz a produção de anticorpos para combater o tumor, e não para evitar o desenvolvimento da doença.
Para isso, retira-se uma proteína (antígeno) do tumor de determinado paciente que, então, é utilizada na formulação de uma dose para apresentá-la ao sistema imunológico. Dessa forma, a vacina faz com que ele reconheça o material genético daquele câncer e produza defesas contra ele — algo que não acontece naturalmente porque as células cancerígenas têm uma capacidade de “se esconder” do sistema imune.
Outros laboratórios que também desenvolvem vacinas terapêuticas para o câncer com a tecnologia de RNAm têm publicado os resultados dos testes em revistas científicas. A mais avançada, na última etapa dos estudos, é uma contra o melanoma, câncer de pele mais agressivo, da americana Moderna em parceria com a MSD.
Dados da fase 2, publicados no The Lancet, mostraram que a vacina proporcionou uma redução de 49% no risco de morte ou recorrência, e de 62% no de morte ou metástase. Além disso, o laboratório americano está nos estágios finais dos estudos clínicos de uma vacina contra o câncer de pulmão de células não pequenas e de câncer de bexiga.
No Brasil, a Fiocruz também tinha um projeto de vacina para tratamento do câncer com RNAm, mas que foi pausado para direcionar o foco para a pandemia da Covid-19. Neste ano, os pesquisadores retomaram o estudo. Em estágio ainda muito inicial, já selecionaram proteínas de um tipo de câncer de mama.
Especialistas ouvidos pelo GLOBO avaliam que as primeiras doses contra o câncer devem receber uma aprovação no mundo até 2030, com base no andamento e na divulgação dos testes clínicos. A vacina russa, no entanto, não tem transparência em relação aos dados dos estudos ou a uma possível análise do órgão regulador do país.
Atraente e letal: vape é extremamente perigoso, alerta Secretaria de Estado de Saúde – Foto: reprodução
Coloridos e modernos, eles são extremamente nocivos: os cigarros eletrônicos, ou vapes, podem causar lesões pulmonares graves e oferecem até seis vezes mais riscos que o cigarro comum. O alerta é da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), que reforça a importância da prevenção, especialmente entre adolescentes, no Dia Nacional de Combate ao Fumo, neste 29/8.
Os prejuízos do tabagismo são amplamente conhecidos graças às campanhas de conscientização promovidas ao longo das últimas décadas. Já os malefícios do vape ainda geram muitas dúvidas, mas o consenso científico é claro: o produto é nocivo e perigoso. “Não é só sabor com vapor e aromas: os cigarros eletrônicos causam muitos danos para a saúde”, destaca Nayara Resende Pena, coordenadora dos Programas de Promoção da Saúde da SES-MG.
Criado nos anos 2000, com design moderno e aspecto tecnológico, o cigarro eletrônico ganhou força sobretudo entre adolescentes e jovens. A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), de 2019, mostrou que 16,8% dos estudantes de 13 a 17 anos já haviam experimentado o dispositivo.
“O vape parece inofensivo, mas é 100% perigoso”, reforça Frederico Thadeu Campos, médico pneumologista. Isso porque, embora muitas vezes exale apenas um vapor inodoro, ele carrega substâncias altamente tóxicas, como nicotina, metais pesados e compostos químicos associados a lesões pulmonares graves.
Principais doenças associadas ao uso de vape
Entre os principais riscos está a Evali (do inglês e-cigarette or vaping use-associated lung injury), uma síndrome reconhecida como lesão pulmonar aguda provocada pelo uso do cigarro eletrônico. Ela se diferencia da pneumonia por não ser uma infecção, mas uma inflamação severa, que pode causar dificuldade para respirar, tosse, dor no peito e até complicações em outros órgãos.
“O diagnóstico exige uma anamnese bem feita, já que os sintomas podem confundir médicos e pacientes”, explica Campos. Duas substâncias frequentemente ligadas à Evali são o Tetrahidrocanabinol (THC) e o acetato de vitamina E.
Em março deste ano, o Ministério da Saúde, em parceria com o Instituto Nacional do Câncer (Inca) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), publicou a Nota Técnica Conjunta nº 233/2025, orientando profissionais de saúde a registrarem corretamente os casos de Evali nas Declarações de Óbito.
Foi criado, inclusive, um código específico para a síndrome (U07.0) no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), o que permitirá consolidar dados mais confiáveis sobre as mortes relacionadas ao uso de cigarros eletrônicos.
No Brasil, a fabricação, importação, comercialização, distribuição, armazenamento, transporte e até mesmo a propaganda de DEF são proibidas desde 2009, com reforço em 2024 pela Resolução nº 855 da Diretoria Colegiada da Anvisa.
Mobilização nas escolas
Diante desse cenário, a SES-MG destaca a importância das ações preventivas. Em Minas Gerais, todos os municípios aderiram ao Programa Saúde na Escola (PSE), que promove atividades de educação em saúde e prevenção de doenças, incluindo o combate ao tabagismo. As ações são realizadas de forma integrada entre equipes das Unidades Básicas de Saúde e as escolas.
“É fundamental investir em informação e prevenção, especialmente entre adolescentes, que são o principal alvo da indústria do vape”, ressalta Nayara Pena.
Vacina da UFMG contra crack e cocaína mostra eficácia em camundongos e deve ser testada em humanos – Foto: reprodução
A vacina Calixcoca, contra dependência de cocaína e crack, desenvolvida pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), apresentou eficácia nos testes em camundongos e deve começar a ser testada em humanos em até quatro anos. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (28/8) pelo governador Romeu Zema (Novo) e pela reitora da instituição Sandra Goulart durante a celebração dos 40 anos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), que é cotitular da patente e financiará, junto ao Executivo, os testes clínicos.
“É a primeira vacina vinculada ao consumo de crack e cocaína. Uma vacina sintética que já mostrou eficácia grande em camundongos, diminuindo os efeitos, a dependência e os abortos em ratos que estavam grávidas. O plano de trabalho é que em até quatro anos finalize essa fase”, afirmou o secretário de Estado de Saúde (SES-MG), Fábio Baccheretti.
O pró-reitor de Pesquisa da UFMG, professor Fernando Reis, explica que, com a aprovação dos testes em camundongos, o estudo entra novamente em uma fase zero, com previsão de duração de até quatro anos, que levará aos resultados sobre a eficácia em humanos. A primeira etapa do processo é a pré-clínica, onde serão feitos os trâmites burocráticos que buscam a aprovação do início dos testes em humanos. “Apenas uma pequena parte das vacinas progridem para os testes clínicos. Nós temos a esperança que ela vença essa etapa e vá para a fase clínica (testes em humanos)”, avaliou.
A expectativa é que, se aprovada, o início dos testes em humanos seja iniciado no terceiro e quarto ano do período, segundo o pró-reitor. “Esse prazo pode ser prorrogado, caso necessário”, pontua.
Tratamento de dependentes
Após a fase de testes e aprovação da Anvisa, a Calixcoca será usada como auxílio para o tratamento de dependentes. “Ela será usada em dependentes porque ajuda a diminuir ou bloquear os efeitos de entrada da droga. Então mesmo se uma pessoa tenha o desejo de usar, a vacina atuará bloqueando seus efeitos no sistema nervoso central”, explica Reis.
O secretário de Saúde pontua que, se aprovada, a tecnologia usada para a produção da vacina pode inovar o desenvolvimento de imunizante no mundo, possibilitando a criação através de moléculas sintéticas. “Diferentemente das vacinas já testadas em outros países, a Calixcoca é não proteica, baseada na molécula sintética V4N2 (calixareno), e induz o organismo a produzir anticorpos que se ligam à cocaína no sangue, o que impede que a droga alcance o cérebro e bloqueia seus efeitos”, disse.
Para Baccheretti, a vacina também será aliada no tratamento de doenças respiratórias desenvolvidas muitas vezes por dependentes. “Assim que aprovada pela Anvisa ela deve ser incorporada pelo Governo de Minas e, sem dúvidas, pelo Ministério da Saúde ao SUS. Isso vai desafogar o sistema de saúde, tendo em vista que geralmente dependentes desenvolvem turbeculose e outras doenças devido a baixa imunidade, além da prematuridade de bebês que foram gerados por mães dependentes”, estima.
Patente internacional
O avanço para a fase que pode levar aos testes em humanos acontece após a concessão da carta patente nacional, pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), e internacional, nos Estados Unidos, da vacina considerada inovação terapêutica contra a dependência de cocaína e crack.
Os testes serão subsidiados através de aporte de R$ 18,8 milhões feito pelo Governo de Minas. Deste total, R$ 10 milhões são oriundos da Secretaria de Estado da Saúde (SES-MG) e R$ 8,8 milhões da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG), por meio da Fapemig.
Segundo o Governo de Minas, em 2024, foram repassados R$ 14,6 milhões, e mais R$ 1,69 milhão será pago ainda em 2025. O restante do valor — R$ 2,6 milhões — será repassado entre 2026 e 2027. Além disso, por meio de chamadas públicas da Fapemig, outros R$ 500 mil já foram investidos para o desenvolvimento da pesquisa.
Vacina da dengue tem 67,5% de eficácia contra internação de adolescentes – Foto: reprodução
Um estudo internacional comprovou a eficácia da vacina TAK-003, conhecida como Qdenda, no combate à dengue em adolescentes. A pesquisa foi conduzida no Brasil por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) e foi publicada na terça-feira (19) na renomada revista científica The Lancet Infectious Diseases.
A vacina já foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para pessoas de quatro a 60 anos e introduzida no Sistema Único de Saúde (SUS) em 2023. Atualmente, ela é aplicada gratuitamente na população de 10 a 14 anos, faixa etária que concentra o maior número de hospitalizações por dengue após os idosos.
O estudo foi realizado durante a epidemia histórica de dengue que atingiu o país em 2024, matando mais de seis mil pessoas, segundo o Ministério da Saúde. Foram verificados mais de 92 mil testes de jovens na faixa etária em foco no estado de São Paulo. A pesquisa utilizou o método “teste-negativo” (padrão em estudos de vacinas) e cruzou dados de vigilância epidemiológica com registros de vacinação.
Segundo os resultados da pesquisa, uma única dose oferece 50% de proteção contra casos sintomáticos de dengue, e 67,5% contra hospitalizações. Já a segunda dose aumentou a eficácia contra sintomas para 61,7%, com proteção já a partir do oitavo dia após a aplicação da primeira dose.
Além disso, o trabalho confirmou que a vacina é eficaz contra os sorotipos 1 e 2, predominantes na epidemia de 2024. A análise pontuou, ainda, que a proteção da primeira dose diminuiu após 90 dias, trazendo à tona a necessidade de completar o esquema vacinal de duas doses para garantir a proteção prolongada.
Segundo Júlio Croda, pesquisador da Fiocruz Mato Grosso do Sul e coordenador do estudo, essa é a primeira evidência significativa, para além dos ensaios clínicos, de que a vacina TAK-003 é eficaz. “Isso pode salvar vidas e desafogar os hospitais durante epidemias”, afirma.
Na visão dos pesquisadores, com a expansão da dengue impulsionada pelas mudanças climáticas, a evidência brasileira pode influenciar políticas públicas e recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para uso da TAK-003 em campanhas emergenciais e proteção de viajantes para áreas endêmicas.
Projeto de lei que garante cannabis medicinal pelo SUS já pode ser votado em Minas – Foto: reprodução
O Projeto de Lei (PL) 3.274/21, que garante o fornecimento de medicamentos à base de canabidiol pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Minas, recebeu parecer favorável durante reunião na terça-feira (19), na Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O texto já pode ser discutido e votado em 1º turno no Plenário.
Atualmente, o uso medicinal da cannabis já é legal no Brasil, com respaldo da Anvisa, que autoriza tanto a importação quanto o registro de medicamentos à base da planta. Conforme o Ministério da Saúde, o SUS é gerido de “forma tripartite entre união, estados e municípios”, e as gestões locais têm autonomia para ofertar serviços e implantar ações.
Sugestões foram incorporadas ao PL, entre elas, está o acréscimo do objetivo de promover a distribuição de produtos de Cannabis para fins medicinais e terapêuticos. Também foi incluída como diretriz a realização de palestras e ações educativas voltadas para a comunidade em geral. O novo texto ainda prevê regulamentação pelo Poder Executivo.
Embora a proposta original tivesse como foco a obrigatoriedade do fornecimento de CBD, o substitutivo nº 1 apresentado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) ampliou para uma política estadual de incentivo à pesquisa científica sobre a Cannabis medicinal.
Ao tramitar pela Comissão de Saúde, o PL 3.274/21 recebeu o substitutivo nº 2, retirando a restrição de uso “para excepcional alternativa terapêutica”, mas mantendo a delimitação para fins medicinais ou terapêuticos.
O deputado Zé Guilherme (PP) lembrou a situação da neta, diagnosticada com doença rara. Ela realiza tratamento com CBD. Para ele, portanto, não se trata de uma discussão ideológica, mas de necessidade.
O texto é de autoria da deputada Beatriz Cerqueira (PT) e tramita na ALMG desde 2021.
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