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Jornal Folha Regional

Brasil atualiza lista de espécies ameaçadas de extinção e inclui 180 novos animais

Brasil atualiza lista de espécies ameaçadas de extinção e inclui 180 novos animais – Foto: reprodução

O Brasil atualizou a Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção após uma nova rodada de avaliações conduzidas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. O documento, que substitui a versão anterior publicada em 2022, amplia o retrato da situação da biodiversidade no país e reforça a urgência de ações de conservação.

Ao todo, 180 espécies ou subespécies foram incluídas na lista, entre elas a arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus), agora classificada como Vulnerável (VU), o bugio-preto (Alouatta caraya) e o tamanduaí (Cyclopes rufus). Por outro lado, 150 espécies deixaram de integrar o levantamento, refletindo mudanças nos critérios e no estado de conservação.

O novo documento contabiliza 790 espécies ou subespécies ameaçadas de extinção. Além disso, apresenta uma lista paralela com nove espécies oficialmente consideradas extintas no país.

Diversidade sob risco

O levantamento abrange diferentes grupos da fauna terrestre brasileira, incluindo mamíferos, aves, répteis, anfíbios e invertebrados. As espécies foram classificadas em categorias que indicam o grau de ameaça: Vulnerável (VU), Em Perigo (EN), Criticamente em Perigo (CR), Possivelmente Extintas (CR-PE) e Extinta na Natureza (EW).

Os dados mostram que a maior parte das espécies ameaçadas é composta por invertebrados terrestres, somando 264 registros. Na sequência aparecem aves (242), répteis (123), mamíferos (102) e anfíbios (59).

Já a lista de espécies extintas inclui seis aves, dois anfíbios e um mamífero — o roedor de Vespucci (Noronhomys vespuccii), que habitava o arquipélago de Fernando de Noronha.
Os peixes e invertebrados aquáticos não fazem parte deste documento específico. Eles integram uma lista própria, também atualizada em 2026 e divulgada anteriormente, no mês de abril.

Instrumento para conservação

Segundo o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, a atualização é  essencial para orientar políticas públicas e estratégias de preservação.

“A lista reconhece, perante a nossa sociedade e o mundo, a situação das espécies brasileiras e também abre caminho para a construção de planos de recuperação e de conservação”, afirmou.

O presidente do ICMBio, Mauro Pires, destacou o esforço técnico envolvido no trabalho e a capacidade brasileira de monitorar sua biodiversidade em larga escala. “Poucos países no mundo têm a capacidade de avaliar sua biodiversidade na escala que o Brasil faz hoje”, disse.

Construção coletiva

A atualização da lista é resultado de um trabalho conjunto entre o poder público, a comunidade científica e organizações da sociedade civil. O processo envolve análise criteriosa de dados sobre distribuição, população e ameaças enfrentadas pelas espécies.

O documento serve como base para ações de conservação, definição de prioridades e criação de políticas ambientais, sendo considerado um dos principais instrumentos para a proteção da fauna brasileira.

A lista completa está disponível na publicação oficial do Diário Oficial da União.

Projeto propõe coleiras refletivas para incentivar adoção de cães em São Sebastião do Paraíso

Projeto propõe coleiras refletivas para incentivar adoção de cães em São Sebastião do Paraíso – Foto: reprodução

A proteção de animais em situação de rua e a promoção da adoção responsável ganharam destaque durante a reunião ordinária da Câmara Municipal de São Sebastião do Paraíso realizada na noite de segunda-feira (15). Entre os assuntos discutidos pelos vereadores, foi apresentado o Projeto de Lei nº 5876/2026, que cria o Programa Municipal Coleira Refletiva da Adoção.

A proposta foi protocolada pelo vereador Juliano Carlos Reis e prevê a utilização de coleiras refletivas em cães comunitários e animais que vivem nas ruas da cidade. Além de aumentar a segurança dos animais, o equipamento deverá conter informações que facilitem sua identificação e aproximem possíveis adotantes.

Segundo o texto apresentado, cada coleira poderá reunir dados sobre a condição de saúde do animal, histórico de acompanhamento pelos programas municipais e formas de contato para quem tiver interesse em oferecer um novo lar.

Ao justificar a iniciativa, o autor do projeto destacou que a medida poderá gerar benefícios em diferentes áreas. Um dos principais objetivos é reduzir o número de atropelamentos, já que o material refletivo aumenta a visibilidade dos cães durante a noite e em locais com pouca iluminação.

Outro ponto defendido é o estímulo à adoção consciente. Com informações acessíveis diretamente na coleira, moradores poderão conhecer melhor os animais e obter orientações para iniciar o processo de adoção.

A proposta também pretende contribuir para o controle e monitoramento dos cães atendidos pelo município, permitindo maior acompanhamento de ações como vacinação e castração.

Após ser apresentada em plenário, a matéria foi encaminhada para análise das Comissões de Finanças, Justiça e Legislação e de Defesa dos Direitos dos Animais. Concluída essa etapa, o projeto retornará à pauta para votação dos vereadores.

A discussão do tema reforça o espaço que as políticas voltadas ao bem-estar animal vêm ocupando no Legislativo paraisense, especialmente em iniciativas que buscam conciliar proteção dos animais, saúde pública e segurança no trânsito.

MPMG promove conferência regional sobre proteção animal em Passos

MPMG promove conferência regional sobre proteção animal em Passos – Foto: reprodução

Passos recebe nesta quinta-feira (30) a Conferência Regional de Manejo Populacional de Cães e Gatos, voltada aos municípios do Sul de Minas integrantes do programa PRODEVIDA. O evento tem como objetivo principal fortalecer políticas públicas relacionadas à proteção e ao bem-estar animal na região.

A iniciativa é promovida pelo Ministério Público de Minas Gerais, por meio da Secretaria das Promotorias de Justiça da Comarca de Passos, em parceria com a Associação dos Municípios da Microrregião do Médio Rio Grande. A ação integra o Programa Regional de Defesa da Vida Animal (PRODEVIDA), que busca ampliar a atuação institucional na área.

A organização técnica do encontro está sob responsabilidade do Instituto de Medicina Veterinária do Coletivo e da Coordenadoria Estadual de Defesa dos Animais (CEDA/MPMG), com apoio do Conselho Regional de Medicina Veterinária de Minas Gerais e da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.

A programação reúne gestores públicos, médicos-veterinários, representantes municipais e profissionais ligados à causa animal. Entre os temas em pauta estão estratégias de controle populacional ético de cães e gatos, prevenção de maus-tratos e promoção da saúde animal por meio de ações integradas.

De acordo com a promotora de Justiça Luciana Imaculada de Paula, que também coordena a CEDA, o encontro tem como proposta fortalecer a atuação conjunta entre os municípios. “A conferência busca promover o alinhamento entre os municípios e incentivar ações conjuntas voltadas à construção de políticas públicas eficazes na defesa dos direitos dos animais”, destaca.

O evento em Passos faz parte de uma série de conferências regionais previstas para 2026 em todo o estado, contemplando as 21 regionais de Minas Gerais. A proposta é ampliar o debate técnico e institucional e incentivar a cooperação entre municípios e órgãos envolvidos com a proteção animal.

A conferência será realizada das 7h30 às 17h, na sede da AMEG, localizada na Rua Benedita da Silveira Maia, nº 144, no bairro São Francisco.

Abandono de animais no Centro de Passos gera indignação e cobrança por medidas

Abandono de animais no Centro de Passos gera indignação e cobrança por medidas – Foto: TV Passos/Passos 24hs no Ar

Um caso de abandono de animais registrado na última quinta-feira (16), na Rua Oliveira, região central de Passos (MG), provocou revolta entre moradores e reforçou o alerta sobre a necessidade de ações mais rigorosas contra esse tipo de crime.

De acordo com relatos, filhotes e cães foram deixados no local em situação de total vulnerabilidade, sem acesso a água, alimento ou qualquer tipo de proteção, ficando expostos ao sol e a riscos iminentes à saúde e à vida.

ONGs atuam no limite

A situação reacendeu o debate sobre a sobrecarga enfrentada por organizações de proteção animal no município. Entidades e voluntários têm atuado de forma constante no resgate, tratamento e cuidado de animais abandonados, muitas vezes com recursos próprios e sem apoio suficiente.

Apesar do trabalho contínuo, protetores alertam que a quantidade de casos tem aumentado, tornando difícil atender toda a demanda.

Crime previsto em lei

O abandono de animais é considerado crime no Brasil, com previsão de punição. Ainda assim, casos como o ocorrido no Centro da cidade evidenciam a necessidade de maior fiscalização e responsabilização dos envolvidos.

Cobrança por fiscalização e denúncias

Diante do episódio, moradores e protetores cobram uma atuação mais efetiva das autoridades, tanto na fiscalização quanto na aplicação de penalidades.

A população também é orientada a denunciar situações de maus-tratos e abandono, contribuindo para que casos como esse não permaneçam impunes.

VÍDEO | Homem abandona filhotes em Extrema, no Sul de Minas, e mata um deles atropelado

Um caso de maus-tratos a animais gerou revolta em Extrema, no Sul de Minas Gerais, na manhã da última segunda-feira (02). Um homem abandonou quatro filhotes de cachorro na calçada em frente ao Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) e, ao deixar o local, atropelou e matou um dos animais.

Imagens que circulam nas redes sociais mostram o momento em que o motorista estaciona uma caminhonete, retira os filhotes da carroceria e os deixa soltos na rua. Em seguida, ele retorna ao veículo e arranca. Pessoas que passavam pelo local tentaram alertá-lo sobre um dos cães que estava à frente do veículo, mas o condutor acelerou e passou por cima do filhote com uma das rodas dianteiras, fugindo sem prestar socorro.

Funcionários do CCZ ainda tentaram salvar o animal atropelado, mas ele não resistiu. Os outros três filhotes foram recolhidos e permanecem sob cuidados no Centro de Controle de Zoonoses, aguardando adoção. A expectativa é que ao menos dois deles ganhem novos lares ainda nesta semana.

O homem foi identificado e denunciado à Polícia Militar de Minas Gerais pelo crime de maus-tratos, mas até o momento não foi localizado. Segundo informações extraoficiais, ele teria deixado a cidade após a repercussão do caso.

A Polícia Civil de Minas Gerais acompanha a ocorrência e segue com as investigações.

Possíveis crimes e cobrança por punição

O caso pode envolver dois crimes previstos em lei: abandono e maus-tratos a animais, sendo que, quando há morte, a pena pode chegar a até cinco anos de prisão.

Diante da gravidade dos fatos, o vereador Eddy Caetano, conhecido por sua atuação na defesa da causa animal, cobrou providências imediatas das autoridades. Segundo ele, a Polícia Militar realizou diligências para localizar os responsáveis, enquanto a Polícia Civil conduz as investigações.

O parlamentar informou ainda que solicitou o apoio da advogada Iolanda para acompanhar testemunhas até o 59º BPM, garantindo o devido registro da ocorrência e a responsabilização criminal dos envolvidos.

Em publicação nas redes sociais, o vereador pediu o apoio da população para compartilhar as imagens e reforçar a mobilização por justiça.

O caso segue sob investigação.

Casos de violência contra animais mobilizam protesto em São Sebastião do Paraíso

Cão Doidão – Foto: redes sociais

Moradores e protetores independentes de animais de São Sebastião do Paraíso (MG) organizam uma manifestação para o próximo domingo (8), às 15h, em frente à Casa da Cultura, após dois episódios de violência contra animais registrados em um intervalo inferior a três dias no município. O ato tem como objetivo cobrar justiça e reforçar a necessidade de punição aos responsáveis por casos de maus-tratos.

A mobilização ganhou força após o desaparecimento do cachorro comunitário conhecido como Doidão, que vivia há mais de dez anos no bairro Brás e era cuidado coletivamente por moradores e voluntários, além do ataque sofrido por uma cachorrinha de seis meses, chamada Cristal, encontrada com um ferimento grave no tórax.

De acordo com os organizadores do protesto, informações repassadas por cuidadores indicam que Doidão estaria morto. No entanto, a Polícia Civil de Minas Gerais ainda não confirmou a morte do animal e afirma que o caso segue sob investigação.

Imagens que circulam entre os cuidadores mostram Doidão entrando na residência de uma moradora pouco antes de desaparecer. Segundo a Polícia Civil, não há registros que indiquem que o cachorro tenha saído do imóvel após esse momento. As buscas tiveram início logo após a constatação do sumiço, acompanhadas por integrantes da rede de cuidadores, que relataram forte comoção na comunidade, já que o animal fazia parte da rotina do bairro e era conhecido por seu comportamento dócil.

Além do vínculo afetivo com os moradores, Doidão enfrentava um quadro delicado de saúde. O cachorro estava em tratamento contra um câncer no abdômen, havia passado recentemente por uma cirurgia e ainda necessitava de cuidados especiais, conforme acompanhamento veterinário.

A Polícia Civil instaurou um inquérito e já ouviu seis pessoas. Segundo o delegado responsável pelas investigações, Rafael Gomes, há indícios de que o cachorro tenha sido abandonado na zona rural do município vizinho de São Tomás de Aquino. A prática, segundo ele, caracteriza crime de maus-tratos qualificado. A polícia também teve acesso a um vídeo recente em que Doidão aparece em uma estrada de terra, visivelmente debilitado. Equipes realizaram buscas no local, mas o animal não foi localizado. Informações sobre uma possível morte chegaram ao conhecimento da corporação, porém ainda não foram confirmadas oficialmente.

O protesto também foi impulsionado por outro caso de violência registrado na cidade. Na quarta-feira, uma cachorrinha de apenas seis meses, chamada Cristal, foi encontrada com um corte profundo no tórax. A principal suspeita é de que o ferimento tenha sido causado por uma faca.

A veterinária responsável pelo atendimento informou que o animal deu entrada em estado grave, com sangramento intenso e presença de bicheira. Foram realizados exames para avaliar a necessidade de transfusão de sangue, já que a cachorrinha aparentava ter perdido uma quantidade significativa de sangue.

Para os organizadores do ato, os episódios não são isolados e refletem um problema recorrente enfrentado no município. A vereadora Daiane Andrade avalia que os casos de maus-tratos acontecem diariamente e que chega um momento em que a sociedade precisa se posicionar de forma coletiva.

Moradores e protetores esperam que a manifestação amplifique o debate, chame a atenção das autoridades e resulte em investigações rigorosas e punições exemplares. Para integrantes do movimento, a expectativa é de que a legislação seja aplicada com seriedade e que os responsáveis sejam responsabilizados conforme a lei.

Dados da Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais reforçam a preocupação. Entre janeiro e outubro de 2025, o estado registrou 5.540 ocorrências de maus-tratos a animais, número que representa um aumento de 47,65% em relação ao mesmo período de 2024.

A manifestação está confirmada para este domingo, às 15h, em frente à Casa da Cultura de São Sebastião do Paraíso. A Polícia Civil informa que as investigações continuam em andamento e que novas informações serão divulgadas assim que houver confirmação oficial dos fatos.

Polícia Militar apreende drogas, arma de fogo e resgata cães em situação de maus-tratos em Itaú de Minas

Polícia Militar apreende drogas, arma de fogo e resgata cães em situação de maus-tratos em Itaú de Minas – Foto: divulgação/Polícia Militar

A Polícia Militar de Itaú de Minas (MG) apreendeu uma grande quantidade de drogas, uma arma de fogo e resgatou cães em situação de maus-tratos durante duas operações realizadas na última quarta-feira (10), na zona rural e na área urbana do município.

As ações tiveram início após a corporação receber uma denúncia indicando que uma casa localizada na zona rural estaria sendo utilizada para armazenamento de entorpecentes. Diante das informações, equipes foram mobilizadas e se deslocaram até o endereço informado. Ao se aproximarem do imóvel, os policiais perceberam um forte cheiro de maconha vindo de seu interior. No local, também foi encontrada sobre uma mesa uma balança de precisão.

Durante as buscas, a PM localizou uma pistola Taurus calibre .380, modelo 938, além de diversos tijolos e porções de substância análogas à maconha e uma quantia em dinheiro.

Ainda durante a operação, em um segundo endereço já no perímetro urbano de Itaú de Minas, os militares identificaram cães mantidos em situação de maus-tratos. Os animais apresentavam infestação de carrapatos e tinham lesões nas orelhas, que estavam mutiladas.

Todo o material apreendido e os envolvidos nas ocorrências foram encaminhados à Delegacia da Polícia Civil para as providências cabíveis.

Polícia Civil investiga morte de animais com sinais de envenenamento em Passos

Polícia Civil investiga morte de animais com sinais de envenenamento em Passos – Foto: Helder Almeida

Um caso de suspeita de envenenamento de animais está sendo investigado pela Polícia Civil em Passos (MG). Na noite da última quinta-feira (30), cinco cachorros e uma gata foram encontrados mortos no quintal de uma residência no bairro Bela Vista. Segundo a Polícia Militar, os animais apresentavam sinais de intoxicação.

As moradoras relataram que haviam saído por volta das 15h e, ao retornarem às 18h, encontraram os bichos já sem vida. Próximo aos corpos havia vômitos com uma substância azulada e pastosa, indicando possível uso de veneno.

Entre os animais estavam um cachorro da raça Shih Tzu e quatro sem raça definida. A gata foi localizada sobre o telhado, também sem sinais vitais.

As moradoras informaram ainda que outros dois cães da casa haviam morrido no domingo anterior (26), apresentando sintomas semelhantes, como convulsões e vômitos com coloração azulada. Elas disseram não ter suspeitos e afirmaram não manter desavenças com vizinhos. O imóvel não possui câmeras de segurança.

A perícia técnica da Polícia Civil compareceu ao local e recolheu amostras para exames laboratoriais, que deverão confirmar a causa das mortes e identificar a substância utilizada.

O caso foi registrado como crime de maus-tratos a animais, conforme o artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998), e será apurado pela 16ª Delegacia de Polícia Civil de Passos.

Polícia Civil investiga morte de animais com sinais de envenenamento em Passos – Foto: redes sociais
Polícia Civil investiga morte de animais com sinais de envenenamento em Passos – Foto: redes sociais
Polícia Civil investiga morte de animais com sinais de envenenamento em Passos – Foto: redes sociais

Comissão do Senado aprova aumento da punição para maus-tratos a animais de todas espécies

Comissão do Senado aprova aumento da punição para maus-tratos a animais de todas espécies – Foto: reprodução

A Comissão de Meio Ambiente (CMA) aprovou na última terça-feira (26) projeto que majora a pena do crime de maus-tratos a animais. Tutores que maltratarem seus pets terão pena aumentada de um sexto a um terço. O PL 519/2021, do senador Jorge Kajuru (PSB-GO), recebeu voto favorável da relatora, senadora Leila Barros (PDT-DF), na forma de um substitutivo. Agora, o texto segue para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Atualmente, a Lei de Crimes Ambientais determina a condenação de quem abusar, maltratar, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos. Também pode ser condenado quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos; e quem realiza ou permite tatuagens e piercings em cães e gatos, com fins estéticos.

Mas hoje a pena é fixada de acordo com o animal que foi maltratado. Para os casos de cães e gatos, a pena é de dois a cinco anos, multa e proibição de o condenado ter a guarda. Para os outros animais, a pena varia de três meses a um ano, e multa. Nos dois casos, se o animal morrer, a pena pode aumentar de um sexto a um terço. O texto aprovado na CMA muda essa perspectiva, além de aumentar a punição.

Igualdade

O projeto fixa a mesma punição para quem maltratar qualquer animal. O texto original previa a condenação entre quatro a 16 anos e multa, com pena em dobro para o dono. Além disso, estabelecia o crime como inafiançável. Relatora, Leila Barros manteve a igualdade na punição para os maus-tratos, seja a cães e gatos ou a qualquer outra espécie nativa ou exótica. Mas a senadora apresentou texto substitutivo que diminui essas penas.

Pelo parecer, a pena será de dois a cinco anos e multa para quem maltrata qualquer animal, além de proibir o condenado de ter a guarda. A mesma pena será aplicada para quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo. O texto da relatora também prevê aumento de um sexto a um terço da pena para o tutor ou dono que maltratar o animal e mantém a pena de três meses a um ano e multa para os condenados por tatuagens e piercings em cães e gatos, com fins estéticos.

Segundo Leila, o projeto original fixava uma pena excessiva, destoando das penas máximas de até cinco anos previstas atualmente, como a de maus-tratos a cães e gatos. A senadora afirma que a pena de quatro a 16 anos do projeto original poderia superar a de homicídio simples estabelecida no Código Penal, que varia de seis a vinte anos.

Para a senadora, o texto alternativo é mais adequado, pois equipara a pena de maus-tratos para todos os animais, mantém o agravante pela morte do animal e inclui o aumento da pena para o tutor ou dono do animal.

— Maus-tratos a animais são recorrentes no país, tanto a animais de convívio doméstico quanto a animais de criação ou silvestres. Ainda assim, a Lei de Crimes Ambientais prevê penas brandas demais e não suficientes para desestimular essa conduta, não só no tipo em exame como também em outros, como o tráfico de animais silvestres — disse a relatora.

Leila acatou emenda do senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR) para excluir da pena de maus-tratos as práticas e procedimentos regulamentados no âmbito das atividades agropecuárias, quando realizados em animais de produção. A emenda também foi apoiada pelos senadores Jaime Bagattoli (PL-RO) e Jayme Campos (União-MT).

Debate

Presidente da CMA, o senador Fabiano Contarato (PT-ES), afirmou que a lei ainda é muito permissiva quanto a quem maltrata animais. Ele lembrou um caso recente de um jovem que mutilou as patas de um cavalo.

A senadora Margareth Buzetti (PP-MT) também reforçou que a legislação precisa ser alterada:

— Nós não podemos ser permissivos como estamos sendo na nossa legislação. Nós não podemos compactuar com os maus-tratos aos animais, como estamos vendo ultimamente.

Já para o senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), uma pessoa que maltrata animal também o faz com pessoas, por isso, seriam mais benéficas a aplicação de medidas socioeducativas.

Agosto Caramelo: Minas Gerais reforça luta contra abandono e maus-tratos de animais

Agosto Caramelo: Minas Gerais reforça luta contra abandono e maus-tratos de animais – Foto: divulgação

Governo de Minas Gerais deu início, neste mês, ao Agosto Caramelo, campanha anual da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad-MG) para mobilização social e educação ambiental que coloca a causa animal no centro das atenções.  

A iniciativa tem como objetivo promover a proteção, o bem-estar e a dignidade de cães e gatos, com foco na prevenção do abandono, no combate aos maus-tratos, no incentivo à adoção responsável e na guarda consciente. 

O nome e o símbolo da campanha foram escolhidos com intencionalidade. O vira-lata caramelo, amplamente reconhecido no imaginário popular brasileiro, é muito mais que um cão de pelagem dourada.  

Ele representa milhões de animais sem raça definida que, mesmo invisibilizados pelas desigualdades urbanas, permanecem presentes nas ruas, sobrevivendo com afeto, lealdade e resiliência.

Ao adotá-lo como embaixador da causa, a campanha busca ressignificar a forma como a sociedade enxerga os animais abandonados, estimulando empatia, inclusão e valorização da diversidade. 

Agosto Caramelo: Minas Gerais reforça luta contra abandono e maus-tratos de animais – Foto: divulgação

Durante todo o mês de agosto, diversas ações serão promovidas em Minas Gerais: atividades educativas em escolas, campanhas de sensibilização pública, feiras de adoção, mutirões de castração e microchipagem, intervenções culturais e urbanas, produção de conteúdos informativos em formatos acessíveis e mobilização por políticas públicas efetivas de proteção animal.  

As atividades envolvem a integração entre órgãos governamentais, organizações de proteção animal, instituições de ensino, setor privado e sociedade civil, numa verdadeira rede de cooperação. 

A escolha do mês também tem um caráter estratégico. Agosto abriga o Dia Mundial do Cão (26/8), data que amplia a visibilidade da campanha e favorece a mobilização social.

Ao aproveitar esse marco, o Agosto Caramelo reforça o elo emocional entre pessoas e animais, fortalecendo a mensagem de que o cuidado com os pets deve ser contínuo e coletivo. 

Estimativas pedem atenção  

O desafio que a campanha enfrenta é expressivo. Estimativas nacionais indicam que mais de 30 milhões de cães e gatos vivem em situação de abandono ou semiabandonados no Brasil, sujeitos à fome, a doenças, à violência e à falta de assistência veterinária.  

Essa realidade não apenas compromete o bem-estar animal, mas também gera impactos na saúde pública, no equilíbrio ambiental e nas relações sociais. 

Para Júlia Amorim, diretora de Fauna Doméstica da Semad-MG, o Agosto Caramelo vai além de uma ação pontual.  

Agosto Caramelo: Minas Gerais reforça luta contra abandono e maus-tratos de animais – Foto: divulgação

“Trata-se de um pacto social e institucional pela vida. Queremos que cada cidadão compreenda que proteger animais não é apenas um gesto de compaixão, mas uma responsabilidade que contribui para a saúde pública, a segurança e o equilíbrio ambiental. O caramelo é símbolo de resistência, afeto e inclusão, e representa todos os cães e gatos que, têm muito a nos ensinar sobre lealdade e convivência”, afirmou. 

Ao trazer para o centro do debate temas como a guarda responsável, a educação para a empatia desde a infância, a importância da castração e a adoção consciente, o Agosto Caramelo também busca inspirar mudanças de comportamento duradouras.  

As ações promovidas têm caráter formativo e participativo, estimulando a cidadania ativa e fortalecendo redes de proteção animal em todo o estado. 

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