
Moradores e protetores independentes de animais de São Sebastião do Paraíso (MG) organizam uma manifestação para o próximo domingo (8), às 15h, em frente à Casa da Cultura, após dois episódios de violência contra animais registrados em um intervalo inferior a três dias no município. O ato tem como objetivo cobrar justiça e reforçar a necessidade de punição aos responsáveis por casos de maus-tratos.
A mobilização ganhou força após o desaparecimento do cachorro comunitário conhecido como Doidão, que vivia há mais de dez anos no bairro Brás e era cuidado coletivamente por moradores e voluntários, além do ataque sofrido por uma cachorrinha de seis meses, chamada Cristal, encontrada com um ferimento grave no tórax.
De acordo com os organizadores do protesto, informações repassadas por cuidadores indicam que Doidão estaria morto. No entanto, a Polícia Civil de Minas Gerais ainda não confirmou a morte do animal e afirma que o caso segue sob investigação.
Imagens que circulam entre os cuidadores mostram Doidão entrando na residência de uma moradora pouco antes de desaparecer. Segundo a Polícia Civil, não há registros que indiquem que o cachorro tenha saído do imóvel após esse momento. As buscas tiveram início logo após a constatação do sumiço, acompanhadas por integrantes da rede de cuidadores, que relataram forte comoção na comunidade, já que o animal fazia parte da rotina do bairro e era conhecido por seu comportamento dócil.
Além do vínculo afetivo com os moradores, Doidão enfrentava um quadro delicado de saúde. O cachorro estava em tratamento contra um câncer no abdômen, havia passado recentemente por uma cirurgia e ainda necessitava de cuidados especiais, conforme acompanhamento veterinário.
A Polícia Civil instaurou um inquérito e já ouviu seis pessoas. Segundo o delegado responsável pelas investigações, Rafael Gomes, há indícios de que o cachorro tenha sido abandonado na zona rural do município vizinho de São Tomás de Aquino. A prática, segundo ele, caracteriza crime de maus-tratos qualificado. A polícia também teve acesso a um vídeo recente em que Doidão aparece em uma estrada de terra, visivelmente debilitado. Equipes realizaram buscas no local, mas o animal não foi localizado. Informações sobre uma possível morte chegaram ao conhecimento da corporação, porém ainda não foram confirmadas oficialmente.
O protesto também foi impulsionado por outro caso de violência registrado na cidade. Na quarta-feira, uma cachorrinha de apenas seis meses, chamada Cristal, foi encontrada com um corte profundo no tórax. A principal suspeita é de que o ferimento tenha sido causado por uma faca.
A veterinária responsável pelo atendimento informou que o animal deu entrada em estado grave, com sangramento intenso e presença de bicheira. Foram realizados exames para avaliar a necessidade de transfusão de sangue, já que a cachorrinha aparentava ter perdido uma quantidade significativa de sangue.
Para os organizadores do ato, os episódios não são isolados e refletem um problema recorrente enfrentado no município. A vereadora Daiane Andrade avalia que os casos de maus-tratos acontecem diariamente e que chega um momento em que a sociedade precisa se posicionar de forma coletiva.
Moradores e protetores esperam que a manifestação amplifique o debate, chame a atenção das autoridades e resulte em investigações rigorosas e punições exemplares. Para integrantes do movimento, a expectativa é de que a legislação seja aplicada com seriedade e que os responsáveis sejam responsabilizados conforme a lei.
Dados da Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais reforçam a preocupação. Entre janeiro e outubro de 2025, o estado registrou 5.540 ocorrências de maus-tratos a animais, número que representa um aumento de 47,65% em relação ao mesmo período de 2024.
A manifestação está confirmada para este domingo, às 15h, em frente à Casa da Cultura de São Sebastião do Paraíso. A Polícia Civil informa que as investigações continuam em andamento e que novas informações serão divulgadas assim que houver confirmação oficial dos fatos.