Médicos tiveram identidade usada indevidamente; documentos eram vendidos por até R$ 100 a trabalhadores interessados em dispensas fraudulentas

A Polícia Civil de Passos (MG) investiga um esquema de falsificação e revenda de atestados médicos, nos quais eram utilizados nomes e carimbos de profissionais da Santa Casa de Misericórdia do município. O caso veio à tona há cerca de 20 dias, após um médico procurar a delegacia para denunciar o uso indevido de sua identidade em documentos apresentados a empresas da região.
De acordo com as apurações, os atestados falsos eram vendidos a trabalhadores que buscavam dispensas fraudulentas de três a quinze dias, mediante pagamento de R$ 50 a R$ 100, conforme a quantidade de dias e o CID (código de diagnóstico) incluído no documento.
O delegado Marcos Pimenta, chefe do 18º Departamento de Polícia Civil de Poços de Caldas, informou que quatro compradores e um intermediário já foram identificados e ouvidos.
“Essas pessoas pagavam de R$ 50 a R$ 100, dependendo da quantidade de dias inseridos no atestado falso. Ninguém foi preso ainda, mas é importante destacar que os envolvidos podem ser indiciados por crimes graves, como falsidade ideológica — que prevê pena de até cinco anos de prisão — além de associação criminosa e uso de documento falso”, explicou o delegado.
A Santa Casa de Passos colabora com as investigações por meio de seu setor jurídico e é considerada vítima do esquema, já que o nome de seus profissionais foi utilizado sem autorização.
O delegado destacou ainda que a prática causa prejuízos diretos às empresas, que acabam aceitando os documentos falsos e ficam temporariamente desfalcadas de funcionários.
“Não é uma brincadeira. É algo grave, que pode macular a imagem de um médico e prejudicar a relação de trabalho nas empresas”, alertou Pimenta.