
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), afirmou nesta segunda-feira (16) que pretende manter sua pré-candidatura à Presidência da República até o fim do processo eleitoral. Ele também descartou qualquer possibilidade de aliança com o senador Flávio Bolsonaro (PL) ou com partidos da direita tradicional, negando articulações nesse sentido.
Segundo o governador, não houve convite formal — nem há expectativa de que aconteça — para compor alianças, já que sua decisão é seguir com a candidatura própria até o final. Zema reforçou que se considera um nome diferente no cenário político nacional por não ter trajetória tradicional na política, defendendo que o país precisa de renovação.
Na avaliação dele, o atual sistema político brasileiro carece de mudanças estruturais e enfrenta dificuldades justamente por ser composto, em grande parte, por figuras já inseridas nesse meio. Para o governador, quem está habituado à política tende a relativizar práticas que ele considera inadequadas, enquanto alguém de fora teria mais disposição para provocar mudanças.
Durante a agenda, Zema também destacou que pretende adotar uma postura incisiva ao longo da campanha, com o objetivo de expor temas que, segundo ele, não recebem apoio da maioria dos políticos. Entre as críticas, citou os gastos com o Fundo Partidário e o Fundo Eleitoral, que somam bilhões de reais por ano. Na visão do governador, esses recursos acabam favorecendo a permanência de candidatos já estabelecidos, em vez de promover renovação. Ele ainda criticou o cenário envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), classificando a situação como inadequada.
Mesmo com desempenho ainda modesto nas pesquisas eleitorais — cerca de 3% das intenções de voto, segundo levantamento recente —, Zema afirmou que não pretende recuar. Ele relembrou a própria eleição ao governo de Minas, em 2018, quando saiu de índices baixos nas pesquisas e terminou o primeiro turno na liderança, como exemplo de que o cenário eleitoral pode mudar rapidamente.
Embora rejeite alianças neste momento, o governador reconheceu afinidade com pautas da direita. Ele indicou que, caso não avance para o segundo turno, deverá apoiar um candidato desse campo político contra o Partido dos Trabalhadores (PT), citando temas como valorização da família e maior investimento federal em segurança pública.
No âmbito administrativo, Zema confirmou que transmitirá o cargo de governador ao vice, Mateus Simões (PSD), no próximo domingo (22). A cerimônia será realizada no Palácio da Liberdade, na capital mineira.
Pautas do Sul de Minas
Durante a visita, o governador também abordou temas de interesse regional no Sul de Minas. Em relação à obra da rodovia MG-167, entre Varginha e Três Pontas, ele afirmou que os recursos já estão garantidos, mas o andamento tem sido prejudicado por disputas judiciais entre construtoras que participam das licitações. Segundo Zema, esse tipo de impasse é recorrente no setor público e reforça a defesa de concessões à iniciativa privada, onde a contratação ocorre de forma direta. A expectativa é de que a obra seja concluída até meados do ano, ou antes.
Sobre os pedágios na região, o governador reconheceu que preferiria que o Estado não precisasse adotá-los, mas ressaltou a incapacidade financeira de Minas Gerais para manter toda a malha rodoviária. Ele argumentou que rodovias concedidas, mesmo sem duplicação, apresentam melhor conservação, redução de acidentes e menor custo operacional para usuários frequentes, como caminhoneiros. Zema também defendeu um modelo em que o cidadão pague apenas pelo uso das vias, em substituição a tributos como o IPVA.
Outro ponto abordado foi a privatização da Copasa. O governador demonstrou confiança na conclusão do processo nas próximas semanas, destacando que o Estado não possui recursos suficientes para realizar os investimentos necessários na companhia. Segundo ele, a entrada de um novo controlador permitirá aportes bilionários e a universalização do saneamento básico em Minas Gerais.
Em relação ao transporte por balsas no Lago de Furnas, Zema afirmou que o objetivo é garantir mais segurança e eficiência, com a substituição gradual das embarcações. Ele explicou que os atuais operadores poderão continuar prestando o serviço, desde que realizem a modernização dos equipamentos.
Por fim, ao avaliar sua gestão no Sul de Minas, o governador destacou investimentos em infraestrutura, educação e saúde. Ele mencionou a recuperação de rodovias, a reforma de centenas de escolas estaduais e a implantação de diversas unidades básicas de saúde, além do aumento de investimentos privados na região.