Lula e Zema travam disputa por legado do Hospital Universitário de Divinópolis – Foto: reprodução
A inauguração oficial do Hospital Universitário de Divinópolis, realizada nesta sexta-feira (19), transformou-se em mais um capítulo da disputa política entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo).
Enquanto Lula esteve na cidade do Centro-Oeste mineiro para participar da cerimônia de entrega da unidade de saúde, Zema contestou o protagonismo do governo federal e afirmou que o hospital já havia sido entregue à população meses antes, durante sua gestão à frente do estado.
Em manifestação pública, o ex-governador destacou investimentos realizados pelo Governo de Minas para viabilizar a conclusão do empreendimento.
“Por que não falam que retomamos as obras de todos os Hospitais Regionais de Minas Gerais, que estavam paradas desde o governo do próprio PT? Inclusive, alguns deles já foram inaugurados. Agora, vão a Divinópolis inaugurar aquilo que nós já entregamos em fevereiro deste ano. Vale lembrar que investimos R$ 134 milhões para a conclusão do Hospital Regional de Divinópolis — sendo R$ 49 milhões destinados às obras e R$ 85 milhões para aquisição de equipamentos, mobiliário hospitalar e adequações necessárias para o pleno funcionamento da unidade”, afirmou Zema.
Além dos recursos destinados à estrutura e aos equipamentos, o ex-governador também ressaltou a transferência do imóvel para a Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), medida que, segundo ele, foi decisiva para garantir o funcionamento da unidade.
“O ex-governador ainda diz que sua gestão doou à Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) o imóvel do Hospital Regional de Divinópolis, avaliado em R$ 184 milhões, com ‘a finalidade exclusiva de garantir o funcionamento do hospital’. ‘Então, é muito fácil o presidente Lula participar de um evento tentando passar a impressão de que trabalhou pela conclusão do Hospital Regional de Divinópolis’, provoca.”
A discussão em torno da autoria da entrega do hospital não é inédita. Antes mesmo da agenda presidencial desta sexta-feira, a unidade já havia sido alvo de divergências políticas envolvendo o Governo de Minas e a deputada estadual Lohana França (PV).
Uma das principais articuladoras das ações relacionadas ao hospital, a parlamentar criticou o Executivo estadual por, segundo ela, minimizar sua participação no processo de implantação da unidade. Na ocasião da primeira cerimônia de entrega do hospital, Lohana afirmou ter sido excluída do evento e relatou que não recebeu convite para participar da solenidade.
Zema oficializa renúncia ao governo de Minas a partir de domingo – Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O governador Romeu Zema (Novo) enviou ofício à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) na última quarta-feira (18) confirmando a renúncia ao cargo a partir do próximo domingo, 22 de março. A correspondência do Palácio Tiradentes foi apresentada à Casa, durante reunião de Plenário, pela deputada estadual Maria Clara Marra (PSDB).
A saída de Zema se dará em cerimônias na Assembleia e no Palácio Tiradentes, na manhã do próximo domingo, quando ele transmitirá o cargo ao vice e pré-candidato à sucessão, Mateus Simões (PSD). Zema, a partir da renúncia, se dedicará aos compromissos de pré-campanha à Presidência da República.
Já Simões, mesmo que empossado para uma espécie de ‘mandato-tampão’, terá acesso a uma cerimônia com os mesmos ritos tradicionais à chegada de um novo chefe do Executivo a cada quatro anos na ALMG. De acordo com a Casa, a sessão solene será realizada no Plenário da Assembleia, a partir das 10h. A cerimônia será conduzida pelo presidente da ALMG, Tadeu Martins Leite (MDB) e os convidados terão acesso ao Legislativo a partir das 9h.
Foram convidados deputadas e deputados estaduais e federais, senadores, representantes do Executivo estadual e representantes do Poder Judiciário, Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Defensoria Pública, Prefeitura e Câmara Municipal de Belo Horizonte, além de outras autoridades.
Simões chegará à ALMG pelo Hall das Bandeiras e passará por um corredor formado pelos Dragões da Inconfidência – grupamento de honra da Polícia Militar. Logo após, ele será recebido por uma comitiva de deputados estaduais na porta do Salão Nobre. A cerimônia no Plenário se dará com a execução dos ritos protocolares previstos para a solenidade de posse.
Durante o ato, Simões entregará sua declaração de bens à Casa, requisito para a posse. Depois, fará a leitura do compromisso constitucional e assinará o termo de posse. Caberá a Tadeu Leite, ler a declaração de posse e entregar a Mateus Simões exemplares das Constituições Federal e Estadual. Depois, o governador empossado fará pronunciamento no Plenário, que será seguido também por uma fala do presidente da ALMG.
Despedida de Zema
Após a cerimônia na ALMG, Mateus Simões seguirá para o Palácio da Liberdade, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, para a cerimônia de transmissão de cargo. Inicialmente, havia o desejo de realizar parte da cerimônia na Praça da Liberdade, mas avaliações internas decidiram pela concentração dos protocolos apenas no interior da antiga sede do gabinete do governador.
No Palácio, onde haverá um coquetel para convidados, Zema entregará a Simões o Colar da Inconfidência e fará um pronunciamento que marcará a despedida para se dedicar às eleições presidenciais. Há previsão de uma entrevista coletiva de Simões durante o coquetel no Palácio da Liberdade.
Romeu Zema reafirma pré-candidatura à Presidência, descarta aliança com outros partidos e cita investimentos no Sul de MG – Foto: Flávio Tavares
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), afirmou nesta segunda-feira (16) que pretende manter sua pré-candidatura à Presidência da República até o fim do processo eleitoral. Ele também descartou qualquer possibilidade de aliança com o senador Flávio Bolsonaro (PL) ou com partidos da direita tradicional, negando articulações nesse sentido.
Segundo o governador, não houve convite formal — nem há expectativa de que aconteça — para compor alianças, já que sua decisão é seguir com a candidatura própria até o final. Zema reforçou que se considera um nome diferente no cenário político nacional por não ter trajetória tradicional na política, defendendo que o país precisa de renovação.
Na avaliação dele, o atual sistema político brasileiro carece de mudanças estruturais e enfrenta dificuldades justamente por ser composto, em grande parte, por figuras já inseridas nesse meio. Para o governador, quem está habituado à política tende a relativizar práticas que ele considera inadequadas, enquanto alguém de fora teria mais disposição para provocar mudanças.
Durante a agenda, Zema também destacou que pretende adotar uma postura incisiva ao longo da campanha, com o objetivo de expor temas que, segundo ele, não recebem apoio da maioria dos políticos. Entre as críticas, citou os gastos com o Fundo Partidário e o Fundo Eleitoral, que somam bilhões de reais por ano. Na visão do governador, esses recursos acabam favorecendo a permanência de candidatos já estabelecidos, em vez de promover renovação. Ele ainda criticou o cenário envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), classificando a situação como inadequada.
Mesmo com desempenho ainda modesto nas pesquisas eleitorais — cerca de 3% das intenções de voto, segundo levantamento recente —, Zema afirmou que não pretende recuar. Ele relembrou a própria eleição ao governo de Minas, em 2018, quando saiu de índices baixos nas pesquisas e terminou o primeiro turno na liderança, como exemplo de que o cenário eleitoral pode mudar rapidamente.
Embora rejeite alianças neste momento, o governador reconheceu afinidade com pautas da direita. Ele indicou que, caso não avance para o segundo turno, deverá apoiar um candidato desse campo político contra o Partido dos Trabalhadores (PT), citando temas como valorização da família e maior investimento federal em segurança pública.
No âmbito administrativo, Zema confirmou que transmitirá o cargo de governador ao vice, Mateus Simões (PSD), no próximo domingo (22). A cerimônia será realizada no Palácio da Liberdade, na capital mineira.
Pautas do Sul de Minas
Durante a visita, o governador também abordou temas de interesse regional no Sul de Minas. Em relação à obra da rodovia MG-167, entre Varginha e Três Pontas, ele afirmou que os recursos já estão garantidos, mas o andamento tem sido prejudicado por disputas judiciais entre construtoras que participam das licitações. Segundo Zema, esse tipo de impasse é recorrente no setor público e reforça a defesa de concessões à iniciativa privada, onde a contratação ocorre de forma direta. A expectativa é de que a obra seja concluída até meados do ano, ou antes.
Sobre os pedágios na região, o governador reconheceu que preferiria que o Estado não precisasse adotá-los, mas ressaltou a incapacidade financeira de Minas Gerais para manter toda a malha rodoviária. Ele argumentou que rodovias concedidas, mesmo sem duplicação, apresentam melhor conservação, redução de acidentes e menor custo operacional para usuários frequentes, como caminhoneiros. Zema também defendeu um modelo em que o cidadão pague apenas pelo uso das vias, em substituição a tributos como o IPVA.
Outro ponto abordado foi a privatização da Copasa. O governador demonstrou confiança na conclusão do processo nas próximas semanas, destacando que o Estado não possui recursos suficientes para realizar os investimentos necessários na companhia. Segundo ele, a entrada de um novo controlador permitirá aportes bilionários e a universalização do saneamento básico em Minas Gerais.
Em relação ao transporte por balsas no Lago de Furnas, Zema afirmou que o objetivo é garantir mais segurança e eficiência, com a substituição gradual das embarcações. Ele explicou que os atuais operadores poderão continuar prestando o serviço, desde que realizem a modernização dos equipamentos.
Por fim, ao avaliar sua gestão no Sul de Minas, o governador destacou investimentos em infraestrutura, educação e saúde. Ele mencionou a recuperação de rodovias, a reforma de centenas de escolas estaduais e a implantação de diversas unidades básicas de saúde, além do aumento de investimentos privados na região.
Minas tem rombo de R$ 11,3 bilhões no caixa no último ano do governo de Romeu Zema – Foto: Fred Magno
O governador Romeu Zema (Novo) encerrará o seu mandato à frente do governo de Minas Gerais com o Executivo tendo um déficit da ordem de R$ 11,3 bilhões. O valor diz respeito ao total de recursos não vinculados, ou seja, que não recebem uma destinação legal para aplicação em áreas específicas. O valor consta no Relatório de Gestão Fiscal (RGF), enviado ao Tesouro Nacional, com um raio-x consolidado da situação financeira do estado em 2025.
O material indica que o estado terá dificuldades para arcar com dívidas de outros anos e firmar compromissos neste ano. De acordo com o relatório, Minas soma R$ 3,7 bilhões em restos a pagar empenhados, mas que não foram liquidados em 2025. Ao Tesouro, o estado informou uma despesa líquida com pessoal de R$ 53,8 bilhões. O valor deixa Minas no limite prudencial e próximo ao máximo permitido, de 49%, em relação à Receita Corrente Líquida (RCL). O percentual apurado do estado foi de 48,22%.
A dívida pública líquida apurada pelo estado foi de R$ 187,1 bilhões. Somente à União, o governo mineiro deve R$ 179,3 bilhões, saldo que foi confessado no ato de adesão ao Programa de Pleno Pagamento da Dívida dos Estados (Propag) em 31 de dezembro de 2025. A entrada no programa, inclusive, é tratada por Zema como alternativa para amortizar o endividamento junto à União. A amortização será feita em 360 parcelas.
Pedra no sapato
A indisponibilidade de recursos acima de R$ 11 bilhões, que representa pouco menos da metade dos R$ 24 bilhões em isenções fiscais que Zema incluiu no orçamento de 2026, pode dificultar os meses finais da gestão do governador e de seu vice, Mateus Simões (PSD). Zema deixará o estado no final de março para se dedicar à campanha presidencial, e a cadeira será assumida por Simões, pré-candidato ao governo.
No entanto, em anos eleitorais, a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) proíbe o Executivo de aumentar despesas com pessoal nos últimos 180 dias de mandato. Além disso, a partir de maio, é proibido assumir novas despesas sem a garantia de pagamento até o final do ano ou de que haverá recursos em caixa para cumprimento das obrigações a partir do ano que vem.
Na aprovação do orçamento para 2026, o governo já havia informado à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) um déficit de R$ 5,21 bilhões. A proposta aprovada pelos deputados estima receita de R$ 127,1 bilhões e despesa de R$ 132,3 bilhões em 2026.
Zema comemora derrubada de decisão do TCE e comemora retomada de modelo cívico-militares de escolas – Foto: reprodução
Às vésperas do retorno às aulas, em 4 de fevereiro, o governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) comemorou a notícia sobre a derrubada da decisão do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG), pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), que autoriza o retorno do programa de escolas cívico-militares no Estado. A decisão, da 4ª Vara da Fazenda Pública e Autarquias de Belo Horizonte, é assinada pela juíza Janete Gomes Moreira e foi publicada na noite dessa terça-feira (20/1).
“Eu fiquei extremamente satisfeito com essa notícia. O que nós queremos é fazer audiência pública, não estamos falando nem de implantar a escola cívico-militar, não, queremos escutar os pais, os alunos, a comunidade escolar sobre essas questões. E alguém proibir escuta, proibir audiência pública, para mim é o maior absurdo possível, um autoritarismo sem tamanho, acho que é medo da população querer e esse modelo avançar, deve ser isso. Deve estar incomodando muita gente, uma escola que ensina disciplina, uma escola que ensina valores, e vale lembrar, optativa”, disse durante uma coletiva para imprensa nesta quarta-feira (21/01) sobre um PPP para serviços de manutenção em escolas estaduais.
Em dezembro, o TCE havia decidido paralisar o avanço do modelo educacional em Minas, já presente em nove escolas. Na decisão, a Justiça alegou que o TCE, porém, extrapolou os limites constitucionais. A magistrada citou que a atuação do órgão deve se pautar na prevenção de lesões ao patrimônio público, mas com observância à separação dos poderes.
“Na minha opinião, o tribunal não tem especialista em educação. Lá, pelo o que eu sei, é o Tribunal de Contas do Estado. Não sei se é Tribunal de Educação do Estado. Então, para mim, foge totalmente ao âmbito deste tribunal, que teve essa iniciativa de estar proibindo o Estado de escutar as pessoas que estão envolvidas”, completou.
Para que as nove escolas continuem nos moldes cívico-militares, o Secretário de Estado de Educação, Rossieli Soares, afirmou que a pasta vai conversar com as famílias que têm interesse nesses modelos.
Foi uma decisão totalmente descabida no nosso entendimento proibir a continuidade de um projeto onde as escolas querem, inclusive tem abaixo-assinado das escolas pela permanência (desse modelo). Nós queremos voltar a discutir, sim, a possibilidade, como bem disse o governador, em escutar as comunidades, e para aquelas comunidades que desejarem este modelo ou outro, que a gente possa estar dando a opção. Acho que isso faz parte da construção coletiva, não é para todas, não serão todas as escolas no modelo desse, mas terá algumas. A gente vai ter todo um trabalho agora de correr, recuperar o tempo, trazer, novamente, as equipes, porque, por conta da decisão, infelizmente, nós tivemos que passar por uma desmobilização”, afirmou.
Modelo
Em Minas Gerais, nove escolas da rede estadual adotam o modelo cívico-militar, mesmo após o Decreto Federal nº 11.611, assinado em 2023 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que extinguiu o Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares (PECIM). São instituições nas cidades de Belo Horizonte, Contagem, Itajubá, Santos Dumont, São João del-Rei e Três Corações.
No ano passado, a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Defensoria Pública da União (DPU) questionaram o programa junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) alegando incompatibilidade com o Plano Nacional de Educação. O modelo, no entanto, foi mantido pelo Governo de Minas.
Após 7 meses de debates acalorados, privatização da Copasa será definida – Foto: Alex de Jesus
Após sete meses de longos e acalorados debates sobre o uso de estatais para pagar dívidas com a União, o projeto que autoriza a privatização da Copasa será votado nesta quarta-feira (17) de forma definitiva no plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Os líderes da base governista evitam adotar um discurso de vitória antes da hora, mas a expectativa geral é a de êxito do governo Romeu Zema (Novo), que já planeja a realização do leilão nos primeiros meses do próximo ano.
O deputado Gustavo Valadares (PSD), que atua como um dos principais interlocutores nesse processo, defende que a desestatização da companhia é o grande passo para resolver os problemas de saneamento no estado. “Não há mais espaço para uma gestão estatal que enterra, que atrasa, que traz burocracia e, enfim, que não deixa chegar maior qualidade de vida na porta do cidadão mineiro”, disse.
A proposta do governo para privatizar a Copasa retomou a tramitação em maio, junto com os demais projetos do chamado “Pacote Propag”, defendidos pelo governo como forma de adesão ao programa de renegociação das dívidas do estado com a União, que hoje está próximo de R$ 180 bilhões. Em setembro, após pressões de parlamentares, a administração estadual apresentou um novo projeto com adequações exigidas pela Assembleia; é este texto que será votado amanhã.A oposição já trabalha com o cenário de derrota em plenário, mas faz o discurso deixando claro que “a luta ainda não terminou”. A deputada Beatriz Cerqueira (PT) destaca que a votação em plenário é apenas mais uma etapa e que a judicialização do tema já foi feita com ações para que a Justiça se manifeste sobre o processo.
“Esse projeto tem uma insegurança jurídica tremenda. Temos vários questionamentos ao Judiciário, que estão lá no STF, a fiscalização do próprio Tribunal de Contas do Estado, com todos os problemas que já foram apontados. É preciso frisar algo que a gente destacou muito na tramitação: esse projeto continua sem um estudo técnico”, ressaltou a parlamentar. “Não há segurança jurídica nessa privatização, mesmo que a Assembleia aprove esse projeto”.
Mas, no que depender da vontade do governador, os processos devem ser breves. “No primeiro trimestre (de 2026), esse processo deve estar bem agilizado e, talvez, em março ou abril já tenha condições de ter o leilão”, disse Zema em entrevista a jornalistas na semana passada.
Sem sustos
Uma grande mobilização de parlamentares foi realizada para evitar sustos entre os deputados governistas, que têm maioria na Assembleia, mas precisam de um quórum alto para aprovar o texto.
A amostra de envolvimento dos parlamentares foi dada ontem, quando o projeto entrou em pauta para discussões. Mesmo estando nos últimos dias antes do início do recesso parlamentar, marcado para 20 de dezembro, e sem outros projetos polêmicos na pauta, a Assembleia registrou 70 deputados presentes. A expectativa é a de que o cenário se repita nesta quarta-feira.
São necessários 48 votos a favor para aprovar o texto. Na votação em primeiro turno, no final de outubro, o governo conseguiu 50 votos favoráveis à privatização, num plenário com 68 presentes. A expectativa para hoje é a de que o governo possa alcançar até 52 votos favoráveis.
Último lance
A aposta final da oposição para tentar “virar votos” são as manifestações recentes vindas do presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Luís Eduardo Falcão, que tem alertado para o risco que os pequenos municípios correm com a privatização da empresa. Na avaliação da entidade existe o risco de “abandono” dos pequenos municípios que dão prejuízo à empresa.
O problema, de acordo com a vice-presidente da Assembleia, deputada Leninha (PT), é que esse posicionamento chegou tarde demais. “Se tivesse entrado antes, a gente imagina que o resultado teria sido outro”, diz a parlamentar. “A movimentação dos prefeitos e das prefeitas pode colocar em risco também esse plano do Zema e os seus investidores de comprarem a Copasa”, avalia.
Zema determina reforço policial na divisa com o Rio após megaoperação – Foto: reprodução
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, determinou o reforço do policiamento em cidades que fazem divisa com o Rio de Janeiro, após a operação mais letal da história realizada no estado vizinho, na última terça-feira (28). Zema também prestou solidariedade ao governador Cláudio Castro e à população local, além de confirmar que vai ao Rio para discutir ações conjuntas de segurança junto com governadores da direita.
“Infelizmente, há muito tempo, nós já vivemos uma guerra. Espero que o que aconteceu no Rio sirva para iniciar um movimento que venha a terminar com essa perda de vidas que acomete o Brasil há décadas, que já custou a vida de mais de 1 milhão de brasileiros. Aqui em Minas, já determinei reforço e prontidão das nossas forças de segurança, principalmente na área mais próxima ao Rio de Janeiro para que o estado não seja afetado”, afirmou.
Zema participou, nessa quarta-feira, de uma reunião virtual com o governador Cláudio Castro e outros nomes da direita. Na ocasião, foi oferecido por alguns estados o apoio com tropas das polícias locais e da inteligência. A Polícia Rodoviária Federal de Minas também vai enviar agentes para atuar no estado vizinho.
Pré-candidato à presidência nas eleições de 2026, Romeu Zema também usou o episódio para culpar o presidente Lula pelo resultado da operação, que terminou com cerca de 120 mortos. Ele afirmou, ainda, que o governo federal “deixou o Rio de Janeiro e as forças de segurança sozinhos ao não enviar ajuda”. Zema também cobrou a equiparação das facções criminosas a grupos terroristas.
Na contramão das críticas, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski anunciou medidas de socorro ao Rio de Janeiro, após reunião com o governador Cláudio Castro. Ele afirmou que será criado um escritório entre as federações para enfrentar a crise e o crime organizado, além de disponibilizar vagas em presídios federais de segurança máxima para a transferência dos chefes do Comando Vermelho presos durante a operação.
Lewandowski também disponibilizou o envio de peritos criminais, além de anunciar o aumento do efetivo da força nacional já presente no Rio de Janeiro e intensificação das atividades de inteligência da PRF. Ele ainda reforçou que “questões político partidárias devem ser esquecidas” em prol de uma solução comum.
Zema convida deputados para lançamento de pré-candidatura à presidência – Foto: reprodução
Prestes a lançar a pré-candidatura à presidência da República, o governador Romeu Zema (Novo) está convidando deputados estaduais da base de governo na Assembleia Legislativa de Minas Gerais a ir ao evento. Limitado a 1.200 pessoas, o lançamento está previsto para 16 de agosto, em São Paulo.
Conforme apurou o Aparte, o próprio Zema, já criticado pela relação com os deputados descrita nos bastidores como distante, enviou o convite, de seu número pessoal, por mensagem. A cortesia não foi delegada a assessores do governador.
Com ingressos a R$ 100, o evento ocorrerá no Amcham Business Center, espaço da Câmara Americana de Comércio para o Brasil contratado pelo diretório nacional do Novo. O centro é localizado na Chácara Santo Antônio, bairro nobre na Zona Sul de São Paulo.
O lançamento da pré-candidatura de Zema na Câmara Americana de Comércio ocorrerá em meio às sanções econômicas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, às exportações do Brasil. A sobretaxa de 50% entrou em vigor nesta quarta-feira (6/8).
Zema está na corrida para herdar o espólio eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), inelegível até 2030. Os governadores de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), e de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também são presidenciáveis.
Independentemente da bênção de Bolsonaro, interlocutores de Zema apostam na candidatura à presidência, já que uma chapa majoritária encabeçada pelo Novo daria palanque a candidatos a deputados federais. O partido está em busca de alcançar a cláusula de barreira.
Zema lançará pré-candidatura à presidência durante evento do Novo em São Paulo – Foto: reprodução
De olho em 2026, o Partido Novo vem intensificando os movimentos para projetar nacionalmente o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). No próximo dia 16 de agosto, em evento que marcará os 10 anos da legenda, o chefe do Executivo mineiro será oficialmente lançado como pré-candidato à presidência da República. O encontro acontecerá em São Paulo e deve reunir mais de 2 mil pessoas, incluindo lideranças e apoiadores da direita.
“Em 2018, Zema era um desconhecido. Mesmo assim, conquistou os mineiros, venceu as eleições e tirou Minas do abismo em que o PT havia deixado o estado. Ele tem totais condições de fazer o mesmo pelo Brasil”, declarou o presidente nacional do Novo, Eduardo Ribeiro, por meio de sua assessoria de imprensa.
De acordo com informações do partido, na última segunda-feira (14 de julho), Zema se reuniu com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para oficializar sua intenção de disputar o próximo pleito. Bolsonaro teria recebido a notícia de forma positiva e incentivado a pré-candidatura para que haja mais nomes da direita no primeiro turno.
A informação que circula nos bastidores é que Bolsonaro, inclusive, teria sido convidado para participar do evento no Novo. Entretanto, as recentes medidas cautelares impostas a Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF), como o uso da tornozeleira eletrônica, podem ser um impeditivo para que o ex-presidente marque presença, pois ele não está autorizado a deixar Brasília.
O presidente do Novo em Minas, Christopher Laguna, disse que sua expectativa é que o governador do Estado tenha espaço de “protagonista” no encontro em 16 de agosto , já que o partido vem trabalhando para tornar o nome de Zema viável para o próximo pleito.
Antes de São Paulo, Zema esteve em outro evento do Novo em Santa Catarina. No último sábado (19 de julho), o governador esticou a agenda oficial que cumpria no sul do país e aproveitou para participar do encontro da legenda no estado. Aos correligionários catarinenses, o governador destacou ações de seu governo e aproveitou para atacar os petistas, seus principais adversários em uma eventual disputa pela presidência da República no próximo ano.
Um levantamento mostrou que a nacionalização do discurso por meio de críticas diretas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao STF e ao Partido dos Trabalhadores, seria uma das estratégias de Zema para construir uma candidatura em 2026. Em cerca de dois meses, entre abril e maio, o chefe do Executivo mineiro publicou aproximadamente 30 conteúdos no feed do Instagram com esse teor, além de diversos stories, que desaparecem em 24 horas, e posts no X.
Além disso, Zema também intensificou suas agendas em São Paulo nos últimos meses. Só na primeira quinzena de junho, o governador visitou as terras paulistas pelo menos três vezes para participar de eventos e reuniões e conceder entrevistas a jornais locais. Nos bastidores, a informação é que se trata de mais uma tática do governador para tentar nacionalizar o nome dele.
Governo Zema propõe aumentar em 8.000% número de escolas cívico-militares em MG – Foto: reprodução
O governo Romeu Zema (Novo) propôs uma consulta a 728 escolas de Minas Gerais para transformá-las em instituições cívico-militares.
O estado hoje possui nove escolas no programa, e a proposta do governo é aumentar esse contingente em aproximadamente 8.000%. Ao todo, Minas possui cerca de 3.400 escolas na rede estadual de ensino, que atende 1,6 milhão de estudantes.
O levantamento que começou dia 30 de junho estava sendo feito a partir de votação em cada unidade de ensino envolvendo profissionais (diretores e professores), pais e alunos.
A consulta iria até esta sexta-feira (18), mas o governo decidiu interromper o processo temporariamente e apontou como motivo as férias escolares.
“Muitos pais não iam conseguir participar, pois já tinham programado viagens. Acreditamos muito nesse projeto e estamos fazendo ele ser totalmente democrático”, disse o governador em entrevista coletiva na última segunda-feira (14).
Ele não confirmou a data para a retomada das consultas, mas a expectativa no governo é que elas retornem em agosto, após o fim das férias escolares.
O Sind-UTE/MG (Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais) vê a decisão como um recuo provisório do governo após o resultado negativo da votação nas escolas.
“A gente percebe que esse programa tem um aceno eleitoral. É como se a escola pudesse se transformar num local a ser disputado”, diz Marcelle Amador, coordenadora de comunicação do Sind-UTE.
A secretaria de educação afirmou que, até a interrupção do processo, 15% das 728 escolas já haviam feito a votação.
Escolas de BH poderão usar recessos, feriados e sábados para repor greve O chefe da pasta, Igor Alvarenga, não quis divulgar o resultado parcial com o argumento de que os números poderiam influenciar a opinião das outras comunidades escolares.
A Folha de S.Paulo teve acesso ao resultado da votação na Escola Estadual Governador Milton Campos, em Belo Horizonte, também conhecida como Estadual Central.
A comunidade rejeitou o modelo cívico-militar com 85% dos votos – tanto os profissionais quanto os alunos foram, em sua maioria, contra a mudança.
Pela instituição já passaram personalidades como a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), o médico, ex-jogador e colunista da Folha de S.Paulo Tostão e o cartunista Henfil.
“Todas as comunidades escolares que fizeram as assembleias antes desse período [de interrupção] serão respeitadas”, afirmou Alvarenga na última segunda.
No dia seguinte à entrevista, o secretário foi chamado para uma reunião com o vice-governador, Mateus Simões (Novo), e foi avisado que não seguirá à frente da pasta, conforme apurou a Folha de S.Paulo.
A expectativa é que, apesar da iminente troca do nome à frente da gestão educacional do estado, as consultas sejam retomadas.
No modelo de escola cívico-militar, o conteúdo pedagógico segue sendo ministrado pelos professores.
Cabe aos militares da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros a “mediação de conflitos, apoio à gestão, desenvolvimento de atividades preventivas e promoção de valores como respeito, disciplina e responsabilidade”, segundo a secretaria.
Questionada sobre o critério para a escolha das 728 entre o universo de 3.400 instituições, a pasta afirmou que envolveu fatores como unidades inseridas em comunidades de maior vulnerabilidade social e municípios com mais de 25 mil habitantes.
Em relação à fonte dos recursos, a gestão disse que será definida após o encerramento da fase consultiva.
Para a professora do departamento de Educação da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), Analise da Silva, a presença de militares nas escolas pode servir como uma forma de intimidação para o desempenho pedagógico dos professores.
Ela também questiona a falta de preparação dos agentes para o ambiente escolar.
“É como se eu, professora há 47 anos, me aposentasse e recebesse um treinamento de algumas horas para atuar na segurança pública. E receberia [um salário maior] do que os policiais, que fazem treinamento constante para atuar com isso”, afirma a professora, que também deu aulas na educação básica.
A secretaria de Educação usa como justificativa para a adoção do programa a melhora de indicadores das unidades que já estão sob o modelo.
A pasta cita evolução no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e queda na taxa de abandono escolar desde a adoção do modelo cívico-militar nas escolas.
O professor do departamento de Economia da UFPB (Universidade Federal da Paraíba), Jevuks Araújo, buscou compreender a influência dos modelos cívico-militares na melhora dos indicadores de escolas em Goiás, um dos primeiros estados a adotarem o programa. Os dados compreendem um período de 2007 a 2020.
Em artigo publicado em maio na revista International Journal of Educational Development, ele e outros autores afirmam que os resultados indicam que a militarização levou a um aumento nas notas de matemática, português e no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica).
O modelo também levou a uma redução na distorção idade-série ?indicador que mede a defasagem entre a idade dos alunos e a série que eles cursam.
Para avaliar o impacto exclusivo do programa, os pesquisadores compararam as escolas cívico-militares com os pares no estado que têm a maior similaridade em relação a estrutura, número de alunos por sala, perfil dos estudantes e qualificação dos professores, entre outros fatores.
A pesquisa também examinou o impacto da militarização em variáveis relacionadas à violência escolar.
“Os diretores [das escolas cívico-militares] percebem uma redução significativa na violência contra profissionais da escola, na ocorrência de roubos e na percepção de estudantes que usam bebidas alcoólicas”, afirmou o professor à Folha de S.Paulo.
“Os resultados nos levam a entender que o principal mecanismo é de fato esse impacto na redução da violência no ambiente escolar”, completou Araújo, que é pesquisador de economia da educação.
Ele afirmou, porém, que o modelo cívico-militar deve ser tratado como uma opção dentro do conjunto de políticas públicas da área de educação.
“Ele não pode ser considerado como um programa exclusivo, uma panaceia, mas sim um programa adicional que demonstra ter bons resultados”.
Já Analise da Silva, da UFMG, disse que as escolas não são uma ilha, e refletem a insegurança que há na sociedade.
“A proposta do governo de Minas está sendo feita para crianças e adolescentes pobres, pretos, de periferia, das classes econômicas C e D. E isso dá um recado [à sociedade] de que estudante pobre e de periferia é caso de polícia”, afirmou a professora.
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