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Jornal Folha Regional

“Rio morto”: moradores denunciam poluição e forte mau cheiro no rio Pindaíba, em Alpinópolis

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Um vídeo gravado há algumas semanas por um morador de Alpinópolis (MG) tem chamado atenção para a situação do rio Canaã, popularmente conhecido como rio Pindaíba. Nas imagens, a água aparece escura, com espuma acumulada em alguns pontos e sinais de poluição. Segundo o denunciante Marcos Túlio, o problema estaria relacionado ao descarte irregular de dejetos de gado no curso d’água, situação que, segundo ele, ocorre há mais de uma década.

De acordo com o relato, resíduos provenientes da lavagem de currais estariam sendo despejados diretamente no rio.

“Estão fazendo descarte de esgoto de gado dentro do rio. O gado faz xixi e defeca, e depois eles lavam o curral e fazem o descarte desse material diretamente no rio. Em hipótese nenhuma poderia tá sendo jogado dentro do rio. Ele é um rio bem extenso, ele vai desaguar lá no rio de Furnas”, afirmou.

O denunciante relata que a situação vem se agravando ao longo dos anos e que atualmente os episódios seriam frequentes, acontecendo praticamente todos os dias.

“Já tem mais de 10 anos que isso está acontecendo. Antigamente acontecia uma vez no mês, quando começou. Aí depois passou três, quatro, agora acontece isso aqui todo dia, e ninguém toma providência. Até lá em cima tem espuma”, disse.

Segundo Marcos Túlio, além da coloração escura da água, o cheiro no local é forte e constante. “A situação ainda continua, a água suja, fedida, assemelhando-se a um rio morto. Estão jogando chorume de gado no rio”, afirmou.

Em outro trecho do relato, ele descreve as condições do rio nos dias em que o descarte seria mais intenso.

“Às vezes a água fica bem mais escura, sobe espuma lá também, a situação fica bem pior. E fede, fede muito, é muito fedido. É cheiro de cocô de vaca mesmo, misturado com xixi. E até produto químico deve ter no meio disso, porque o cheiro fica muito diferente”, relatou.

O morador também demonstrou preocupação com os impactos ambientais causados pela situação e lamentou a degradação de um local que, segundo ele, marcou sua infância.

“Um local onde eu tenho memória da minha infância, de vir aqui, de ver a água limpa, de nadar, de pescar. Agora chega um dia de calor, a gente quer entrar dentro da água, não tem como, porque a água está suja, a água tá fedendo. E ninguém toma providência, ninguém faz nada”, declarou.

Marcos Túlio compara a situação do rio à poluição histórica do Rio Tietê, em São Paulo. “O rio Pindaíba tá virando um Rio Tietê. Um Rio Tietê com fezes de vaca e daqui a um dia estão jogando esgoto de gente também aqui”, afirmou.

Além da poluição causada pelos supostos descartes, ele aponta outro problema ambiental enfrentado pelo rio: a retirada excessiva de água para irrigação, principalmente em períodos de estiagem.

“Outro grande problema que acontece é a questão da irrigação no período de estiagem. O nível do rio está baixando absurdamente, porque eles colocam aqueles pivô de irrigação dentro do rio para poder estar fazendo a irrigação da lavoura deles e abaixa o volume de água drasticamente. Todo ano a água diminui um pouco mais”, relatou.

Segundo o denunciante, diversas tentativas de acionar órgãos responsáveis já foram feitas ao longo dos anos. Ele afirma ter procurado a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, a Polícia Militar Ambiental, o Ministério Público e até o prefeito do município.

“Já procurei os órgãos, já procurei a Secretaria do Meio Ambiente da Prefeitura de Alpinópolis. Conversei por duas vezes. Na primeira vez, eles falaram que esse problema estava sendo recorrente. Pela segunda vez, falaram que iam fazer visita nas fazendas para poder ver essa questão, mas de toda forma não resolveu”, contou.

Ele também criticou as exigências feitas para o registro das denúncias.

“Já fiz denúncias também na Polícia Ambiental, e sempre que a gente faz denúncia, eles falam que a gente precisa tá enviando fotos, vídeos do local, a localização exata e o nome do proprietário da fazenda que está fazendo. Eu, um cidadão comum, não tenho condições de invadir uma propriedade de alguém”, afirmou.

Sobre as denúncias encaminhadas ao Ministério Público, Marcos Túlio disse que até hoje não viu resultados concretos.

“A resposta que eu tenho é que eles vão encaminhar para a Polícia Civil para eles abrirem um inquérito policial para estar investigando. Mas até hoje eu nunca tive notícia de nenhum inquérito, não estou sabendo de nenhuma investigação que está ocorrendo também e não vi nenhum resultado efetivo”, declarou.

O denunciante também afirma que outras pessoas já tentaram chamar a atenção das autoridades para o problema.

“Muitas pessoas tentaram tomar alguma providência, já levaram ao conhecimento da prefeitura, na Polícia Ambiental também e eles não fazem nada”, disse.

Ao final do desabafo, ele fez um apelo pela preservação do rio.

“Carreguei essa revolta em silêncio por muito tempo, mas esse mesmo silêncio está me machucando, tá doendo, me entristecendo, por ver tudo isso e não possuir condições de fazer mais. O que consigo fazer é isso, expor, levar a conhecimento de outros, cobrar esclarecimentos”, afirmou.

“O rio Pindaíba/Canaã é nosso patrimônio, é nossa riqueza, preservar ele é um dever de todos, sem exceção.”

O Jornal Folha Regional entrou em contato com a Secretaria de Meio Ambiente da prefeitura de Alpinópolis, mas até o momento da publicação dessa reportagem, não obteve retorno.

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