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Jornal Folha Regional

Estado e União vão leiloar quase 3.000 km de rodovias em MG

Apesar de ser federal, a BR-356 está sob gestão do governo do Estado - Foto: Alex de Jesus
Apesar de ser federal, a BR-356 está sob gestão do governo do Estado – Foto: Alex de Jesus

No topo do ranking de Estados que mais registraram pontos críticos em estradas pavimentadas do país em 2024 – foram 338 nos 15,5 mil km analisados pela Pesquisa CNT de Rodovias –, Minas Gerais passará por uma nova rodada de concessões rodoviárias em 2025, com ao menos seis pregões previstos até o fim do ano. Somente o governo estadual prevê licitar cinco lotes. Com isso, se os leilões forem bem-sucedidos, as vias estaduais geridas pela iniciativa privada vão mais que dobrar até dezembro, saltando dos atuais 2.350 km de extensão para 5.147 km.

Já a União também espera concluir, em 30 de abril, a relicitação da BR-040, entre Juiz de Fora (Zona da Mata) e o Rio de Janeiro. A fração da rodovia que passa pelo território mineiro tem cerca de 55 km. Com isso, os leilões estaduais e o pregão federal devem ampliar em quase 3.000 km a extensão de rodovias concedidas ao setor privado em Minas, com investimentos que, somados, podem chegar a R$ 38 bilhões em 30 anos.

A nova onda de concessões ocorre após Minas ficar no topo da lista de Estados com mais rodovias leiloadas pelo governo federal em 2024: BR-381 (BH/Governador Valadares), BR-262 (Betim/Uberaba) e dois lotes da BR-040 (BH/Juiz de Fora e BH/Cristalina). Com exceção da BR-381, que teve contrato assinado no dia 22 de janeiro, o início das obras nos demais trechos federais depende da assinatura da documentação.
 
No caso dos trechos federais, os leilões ocorreram após a União fracassar nas tentativas anteriores. As BRs 262 e 040 foram relicitadas porque as vencedoras de outros pregões desistiram dos contratos. Já na BR-381, a concessão deve pôr fim à sequência de pregões fracassados nos governos Dilma (2014), Bolsonaro (2022) e Lula (2023).
 
Entre as rodovias sob gestão estadual a serem leiloadas, há trechos considerados críticos, como a BR-356 (Nova Lima a Mariana). Sinuosa e com grande fluxo de veículos de carga, a estrada registrou 509 acidentes e sete mortes entre janeiro e novembro de 2024, conforme o Observatório de Segurança Pública. 

O plano é duplicar 67 km da rodovia e construir 39,7 km de faixas adicionais. Para isso, o governo vai disponibilizar R$ 2 bilhões do acordo de repactuação pelo rompimento da barragem da Samarco, em Mariana, enquanto R$ 3 bilhões serão aportados pela empresa que arrematar o lote – que inclui trechos da MG-262 e MG-329.
 
Especialista em transporte e trânsito, o engenheiro Márcio Aguiar avalia como positiva a programação de novas concessões rodoviárias, mas pondera que será necessário monitoramento constante para garantir a execução de obras no prazo estipulado e a qualidade do serviço prestado. “É algo que precisa ser acompanhado com muita atenção. É fundamental haver fiscalização rigorosa para que todos os itens dos contratos sejam cumpridos”, alerta.

Especialista destaca avanço em projetos

A previsão de concessão de quase 3.000 km de rodovias que cortam o território mineiro no decorrer de 2025 é classificada como avanço pelo engenheiro Silvestre Andrade, especialista em transportes. Na avaliação dele, Minas demorou a engatar os leilões de rodovias estaduais e federais e teria “ficado para trás” se comparado a outros Estados, como São Paulo, que detém a maior malha rodoviária sob gestão privada do país. 

“Agora, estamos vendo Minas sair disso. A consequência vai ser uma mobilização da malha viária, com grande movimentação de obras”, comenta Silvestre.
 
Por outro lado, o vice-líder do bloco de oposição ao governo Zema na Assembleia Legislativa, deputado Leleco Pimentel (PT), critica o modelo e não poupa nem mesmo as concessões do governo Lula. “Não apoiamos privatização e entendemos que o tempo das concessões precisa ser ajustado”, defende o petista.

Trechos federais

Atualmente, 2.422 km de rodovias federais em MG fazem parte de sete concessões:

  • Fernão Dias: 472,6 km
  • Concebra: 793 km
  • 54,2 km
  • Eco050: 218,1 km
  • EcoRioMinas: 408 km
  • Ecovias Cerrado: 244,3 km
  • Via Mineira: 232,1 km

Trechos já licitados:

  • BR-381: 303,4 km
  • BR-040: 533 km
  • BR-262: 438,9 km

Projeto Rondon chega ao Sul de Minas para capacitar comunidades no desenvolvimento de projetos sustentáveis

Projeto Rondon chega ao Sul de Minas para capacitar comunidades no desenvolvimento de projetos sustentáveis - Foto: divulgação
Projeto Rondon chega ao Sul de Minas para capacitar comunidades no desenvolvimento de projetos sustentáveis – Foto: divulgação

Na última sexta-feira (17/1), o Ministério da Defesa, em parceria com o Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE/MG), deu início à Operação Sul de Minas I do Projeto Rondon. A cerimônia de abertura foi realizada em Pouso Alegre, no Sul de Minas, e contou com a presença de 250 rondonistas.

A iniciativa interministerial visa capacitar as comunidades locais por meio de projetos de desenvolvimento sustentável e abrange diversas áreas, como cultura, direitos humanos, justiça, educação, saúde, comunicação, tecnologia, meio ambiente e trabalho.

Durante a cerimônia de abertura, a superintendente Regional de Ensino (SRE) de Pouso Alegre, Clícia Beraldo, ressaltou a importância dessas iniciativas para a educação pública estadual.

“É com grande alegria que lançamos oficialmente o Projeto Rondon pela primeira vez no Sul de Minas. Esta missão proporciona aos universitários uma experiência enriquecedora, trazendo mais humanidade e conforto à nossa população. Estamos confiantes de que os rondonistas serão calorosamente acolhidos em cada cidade desta região rica em história e significado”, destacou.

O diretor de Projetos Sociais do Ministério da Defesa, General de Divisão, João Alberto Redondo, enfatizou que o projeto busca fomentar o desenvolvimento da cidadania entre os estudantes universitários. “Nosso objetivo é implementar soluções sustentáveis que promovam a inclusão social e a redução das desigualdades”, afirmou.

Além dos 250 rondonistas, participaram do evento 12 prefeitos de municípios do Sul de Minas e representantes de 38 instituições de ensino superior envolvidas no Rondon.

A SEE/MG dará apoio logístico, garantindo o transporte e a hospedagem das equipes rondonistas durante as atividades. A cerimônia de abertura da fase II da operação está agendada para o dia (25/1), com encerramento programado para os dias (31/1) e (3/2).

Ações do Projeto

O Projeto Rondon acontece por meio de ações prioritárias de atendimento às necessidades sociais, ambientais e econômicas da população, de acordo com as políticas públicas e os planos governamentais em execução.

Para o progresso das atividades, neste ano, as instituições participantes irão propor ações com caráter de extensão, que contribuam para o desenvolvimento e o fortalecimento da cidadania do estudante universitário.

As atividades estão relacionadas aos recursos técnicos e humanos, nas áreas de Cultura, Direitos Humanos e Justiça, Educação, Saúde, Comunicação, Meio Ambiente, Trabalho, Tecnologia e Produção, nas comunidades dos municípios selecionados.

Governo de Minas e Instituto Federal do Sul de Minas lançam dois novos cursos na área do turismo

Governo do Estado e Instituto Federal do Sul de Minas lançam dois novos cursos na área do turismo - Foto: reprodução
Governo do Estado e Instituto Federal do Sul de Minas lançam dois novos cursos na área do turismo – Foto: reprodução

Com o objetivo de capacitar profissionais e interessados na área do turismo, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais (IFSuldeMinas) e o Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult-MG), vão oferecer dois novos cursos gratuitos: “Organização de Eventos: Do Conceito à Realização” e “Turismo Religioso: Estratégias e Técnicas para Gestores e Profissionais”.

As inscrições podem ser feitas neste link até o dia 3/2 e as aulas acontecem de 10/2 a 23/3. A seleção dos candidatos será por meio de sorteio eletrônico, conforme critérios estabelecidos no edital. Mais informações podem ser obtidas no portal do instituto.

Os cursos são na modalidade EaD, têm carga horária de 40 horas e são voltados para qualquer pessoa interessada com idade mínima de 16 anos, ensino fundamental completo e residente em Minas Gerais. Ao final do curso, os participantes receberão certificado de conclusão.

A disponibilização dos cursos é fruto do Programa Rotas do Conhecimento, realizado por meio da parceria entre IFSuldeMinas e o Estado.

Neste ano, em continuidade às ações, o programa vai oferecer cerca de 5 mil vagas distribuídas em 15 novos cursos. Em 2024, o projeto ofereceu 1,5 mil vagas para residentes em Minas Gerais.

Cursos

O curso Organização de Eventos: Do Conceito à Realização, que oferece 400 vagas, pretende formar profissionais capazes de planejar, organizar, executar e avaliar eventos sociais, respeitando medidas de segurança e atuando com responsabilidade socioambiental.

Já o curso Turismo Religioso: Estratégias e Técnicas para Gestores e Profissionais, com 250 vagas, visa capacitar os profissionais para atuar no planejamento, gestão e execução de atividades de Turismo Religioso em Minas Gerais, promovendo a valorização do patrimônio cultural e religioso como atrativo para o desenvolvimento local e sustentável.

Para mais informações, acesse os editais Turismo Religioso e Organização de Eventos.

Edital de seleção de professores

A Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da Extensão, Pesquisa, Ensino Profissionalizante e Tecnológico (Fadema), que atua no desenvolvimento de projetos, pesquisa e extensão do IFSuldeMinas, abriu inscrições para o Processo Seletivo nº 02-2025 para seleção de profissionais autônomos. Eles vão atuar no programa Rotas do Conhecimento.

São cinco vagas para profissionais graduados em turismo ou área correlata. A atuação é remota e podem se inscrever profissionais de todo o país. As inscrições se encerram na próxima segunda-feira (13/1). O edital pode ser acessado neste link, que também contém o formulário de inscrição.

Dengue: sorotipo 3 volta a circular no país e preocupa autoridades

Dengue: sorotipo 3 volta a circular no país e preocupa autoridades - Foto: reprodução
Dengue: sorotipo 3 volta a circular no país e preocupa autoridades – Foto: reprodução

O sorotipo 3 da dengue registrou aumento em meio a testes positivos para a doença no Brasil – sobretudo nos estados de São Paulo, de Minas Gerais, do Amapá e do Paraná. A ampliação foi registrada principalmente nas últimas quatro semanas de dezembro. O cenário preocupa autoridades sanitárias brasileiras, já que o vírus não circula de forma predominante no país desde 2008 e, consequentemente, grande parte da população está suscetível.

Dados do Ministério da Saúde mostram que, ao longo de todo o ano de 2024, o sorotipo da dengue que circulou de forma predominante no Brasil foi o 1, identificado em 73,4% das amostras que testaram positivo para a doença. “Estamos vendo uma mudança significativa para o sorotipo 3”, destacou a secretária de Vigilância em Saúde, Ethel Maciel, durante coletiva de imprensa nesta quinta-feira (9).

“Quero chamar a atenção porque o sorotipo 3 não circula no Brasil desde 2008. Temos 17 anos sem esse sorotipo circulando em maior quantidade. Então, temos muitas pessoas suscetíveis, que não entraram em contato com esse sorotipo e podem ter a doença. Essa é uma variável que nós estamos colocando no nosso COE [Centro de Operações de Emergência] para um monitoramento da circulação desses vírus.”

Alta incidência

Uma projeção feita com base nos padrões registrados em 2023 e 2024 no Brasil e apresentada pela pasta revela que a maior parte dos casos de dengue esperados para 2025 devem ser contabilizados nos seguintes estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Tocantins, Mato Grosso do Sul e Paraná. Nessas localidades, é esperada uma incidência acima do que foi registrado ao longo do ano passado.

“O que a gente pode esperar para 2025? A gente continua com o efeito do El Niño e, portanto, com altas temperaturas e com esses extremos de temperatura. Também temos o problema da seca, que faz com que as pessoas armazenem água, muitas vezes, em locais inadequados. E isso também faz com que a proliferação de mosquitos possa acontecer”, explicou a secretária de Vigilância em Saúde.

“O aumento da circulação do sorotipo 3 não entrou nessa modelagem”, disse. “Não sabemos como ele vai se espalhar. Estamos fazendo esse monitoramento”, completou Ethel. Segundo ela, nas últimas quatro semanas de 2024, 84% dos casos de dengue se concentraram nos estados de São Paulo, do Espírito Santo, de Minas Gerais, do Paraná, de Goiás e de Santa Catarina.

Zika

Dados da pasta mostram ainda que, nas últimas quatro semanas de 2024, 82% do total de casos prováveis de Zika identificados no países se concentraram no Espírito Santo, no Tocantins e no Acre.

Chikungunya

Nas últimas quatro semanas de dezembro, 3.563 casos prováveis de Chikungunya foram identificados, sendo 76,3% deles em São Paulo, em Minas Gerais, no Mato Grosso, no Espírito Santo e no Mato Grosso do Sul. “Os estados se repetem, alguns deles, para dengue, Zika e Chikungunya”, destacou a secretária.

Oropouche

“Estamos com uma concentração grande de casos no Espírito Santo, com casos importados no Rio Grande do Norte, em Goiás, no Distrito Federal, Paraná e Rio Grande do Sul, mas 90% dos casos estão concentrados no Espírito Santo, com aumento significativo das notificações. Estamos, neste momento, com uma equipe lá”, concluiu Ethel.

De acordo com a pasta, na primeira semana de 2024, 471 casos de febre do Oropouche foram identificados no país. Já na primeira semana de 2025, 98 casos da doença foram contabilizados no Brasil.

Governo apresenta MP para reajustar salários de servidores em cerca de 27%

Governo apresenta MP para reajustar salários de servidores em cerca de 27% - Foto: reprodução
Governo apresenta MP para reajustar salários de servidores em cerca de 27% – Foto: reprodução

O Ministério da Gestão e Inovação entregou ao Congresso Nacional, na última terça-feira (31), uma medida provisória que garante o reajuste salarial para servidores públicos federais a partir deste mês. Com a publicação da medida no Diário Oficial da União, ela entra imediatamente em vigor, e os parlamentares terão um prazo de 120 dias para analisá-la e convertê-la em lei antes dela perder a validade. 

A MP contempla todos os servidores ativos, aposentados e pensionistas do Governo Federal, que terão um reajuste médio de 27% a partir de 38 acordos negociados entre representantes das categorias e o Ministério da Gestão. O acordo determina que a recomposição salarial ocorrerá em duas etapas.

A primeira neste mês de janeiro e a segunda em abril de 2026. O reajuste, entretanto, depende diretamente da aprovação do Orçamento de 2025 pelo Congresso Nacional — que adiou a votação da lei orçamentária para depois de fevereiro, quando os parlamentares retornam às atividades legislativas. 

Segundo cálculos do Planalto, a primeira etapa do reajuste impactará as contas públicas em cerca de R$ 16 bilhões. A segunda parcela da reestruturação resultará em um impacto menor, de R$ 8 bilhões. Em nota publicada no último dia 31 de dezembro, a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) detalhou que o aumento dos gastos com os servidores seguirá estável nos limites do arcabouço fiscal. 

Essa é a primeira renegociação feita pela União em uma década. A última ocorreu ainda no Governo Dilma Rousseff (PT) em 2015, com impactos prolongados até 2019 sobre algumas carreiras. 

Além de tratar da recomposição salarial, a medida provisória também apresenta mudanças no setor público com a criação de duas carreiras transversais, que podem atender a mais de um órgão da administração federal, e a transformação de cargos obsoletos em cargos mais compatíveis com as atuais necessidades, segundo pontuou o Ministério da Gestão. 

As carreiras e os cargos também passarão por processos de reestruturação. A principal diferença apresentada pela medida provisória é o alongamento das carreiras — a partir de agora, 86% delas terão 20 níveis de progressão. Há, ainda, previsão de redução dos salários de entrada em alguns dos cargos e aumento dos salários do topo. “[O objetivo] é tornar as trajetórias financeiras mais atrativas ao longo do ciclo de vida laboral dos servidores”, detalhou o ministério.

Governo prevê comprar R$ 700 milhões em terras para a reforma agrária em janeiro

Governo prevê comprar R$ 700 milhões em terras para a reforma agrária em janeiro - Foto: reprodução
Governo prevê comprar R$ 700 milhões em terras para a reforma agrária em janeiro – Foto: reprodução

Com uma suplementação de R$ 217 milhões feita pelo Congresso Nacional, o ministro Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), pretende comprar R$ 700 milhões em terras para a reforma agrária em janeiro.

O ministro tem sido duramente criticado pelo MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) porque a reforma agrária, nos dois primeiros anos do governo Lula, não andou ou andou muito lentamente.

“Há variáveis que só se resolveram agora, no final do ano”, afirmou o ministro à coluna. “A variável dinheiro a gente equacionou há dois dias, no Congresso, a variável adjudicação de grandes devedores e os créditos a gente resolveu só neste mês.”

Além dos R$ 700 milhões para compra de terras e desapropriações, o ministro afirmou que haverá R$ 1 bilhão em crédito, R$ 300 milhões liberados nesta semana pelo Congresso Nacional.

Em entrevista coletiva na sexta-feira, o MST bateu duro no ministro; uma das dirigentes do movimento chegou a dizer que não adiantou recriar o ministério.

ALMG aprova adiamento da cobrança do IPVA para fevereiro

ALMG aprova adiamento da cobrança do IPVA para fevereiro - Foto: reprodução
ALMG aprova adiamento da cobrança do IPVA para fevereiro – Foto: reprodução

A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) aprovou, na última terça-feira (10), em 1° turno, a transferência do início da cobrança do IPVA de janeiro para fevereiro. De autoria do deputado estadual Alencar da Silveira Jr. (PDT), o Alencarzinho, o Projeto de Lei (PL) 1.336/2015 foi aprovado por unanimidade.

Hoje, o governo Romeu Zema (Novo) cobra a primeira parcela do IPVA em janeiro. O contribuinte pode pagá-lo à vista, com um desconto de 3%, ou em três parcelas, entre janeiro e março, com um valor mínimo de R$ 50. O PL 1.336/2015 mantém o parcelamento em três vezes, mas adia as prestações para fevereiro, março e abril.  

Alencarzinho defende que o adiamento dará fôlego aos contribuintes em janeiro. “Em janeiro, é a hora da matrícula da escola, do fim de férias, das dívidas que ficam do fim do ano. Nada mais justo do que passar para fevereiro. É isso que a gente fez neste projeto”, aponta o deputado, que também é 2º secretário da Mesa Diretora da ALMG.

Apesar de propor o pagamento das parcelas do IPVA a partir de fevereiro, o PL 1.336/2015 foi desidratado ao longo da tramitação na ALMG. A princípio, Alencarzinho queria adiar o início da cobrança em dois meses, ou seja, de janeiro para março. Além disso, o texto pressionava o governo Zema a reduzir a alíquota de 4% para 1%, índice cobrado de locadoras de automóveis, por exemplo. 

Logo na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o presidente, Arnaldo Silva (União), que foi o relator do PL 1.336/2015, sugeriu recuar o início da cobrança de março para fevereiro, o que, segundo Arnaldo, implicaria “menor impacto para o fluxo de caixa do Estado”. Por outro lado, o deputado estendeu o número de parcelas das três para seis.  

Entretanto, a Comissão de Desenvolvimento Econômico voltou a alterar o número de parcelas. Apesar de ter concordado com o início da cobrança do IPVA em fevereiro, o presidente, Roberto Andrade (PRD), que, assim como Arnaldo, relatou o PL 1.336/2015, sugeriu que as prestações fossem derrubadas de seis para quatro.    

O número de parcelas voltou para três durante a análise na Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária. Relator do PL 1.336/2015, o presidente, Zé Guilherme (PP), argumentou que a ampliação do prazo “poderia produzir, em alguma medida, desequilíbrio na administração do fluxo de caixa dos referidos entes (Estado e municípios)”.   

Alencarzinho reforça que a extensão do número de parcelas do IPVA impactaria diretamente no caixa das prefeituras. “Cinquenta por cento do IPVA vão para as prefeituras. É a hora que os prefeitos juntam o IPVA para fazer os pagamentos de fim de ano no início do ano, já que a renda de fim de ano é enxugada. Então, as prefeituras não gostam desse prazo extenso”, aponta o 2º secretário.

No entanto, o deputado defende que o prazo seja maior do que os atuais três meses. “Já tem instituição financeira recebendo o lucro do IPVA da população. Quando a pessoa não tem recursos para pagar o imposto e precisa do carro para trabalhar, ela está financiando em 12 meses, com juros altos, e as instituições financeiras estão ganhando”, afirma Alencarzinho.

O PL 1.336/2015 voltará à Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária nesta quarta-feira (11 de dezembro), às 10h, mas em 2º turno. Se avançar, a proposta estará pronta para ser votada em definitivo no plenário. Caso seja aprovada pelos deputados estaduais, as mudanças já entrariam em vigor no próximo ano. 

Governo federal anuncia R$ 546,6 bilhões em investimentos para agroindústria

Governo federal anuncia R$ 546,6 bilhões em investimentos para agroindústria - Foto: divulgação
Governo federal anuncia R$ 546,6 bilhões em investimentos para agroindústria – Foto: divulgação

O governo federal anunciou, na última terça-feira (3), novos investimentos para desenvolvimento de cadeias agroindustriais sustentáveis que, somados, chegam a 546,6 bilhões de reais dentro do programa Nova Indústria Brasil (NIB), que propõe somar investimentos públicos e privados visando frear desindustrialização no País.

O montante inclui 250,2 bilhões de reais em linhas de crédito oriundas de recursos públicos. Isso inclui 198,1 bilhões oferecidos entre 2023 e 2024 e mais 52,1 bilhões até 2026. Os investimentos previstos por parte do setor privado, por sua vez, chegam a 296 bilhões até 2029.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) compareceu ao evento de lançamento da iniciativa, mas não discursou. Responsável por apresentar os dados, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, disse que o governo busca um crescimento anual de 3% do PIB da agroindústria até 2026. Até 2033, o aumento previsto é de 6% ao ano.

O governo anunciou que pretende, ainda, aumentar o índice de mecanização da agricultura familiar, que, em 2023, era de 25%. O objetivo é chegar a 28% em 2026, pavimentando o caminho para que, em 2033, sejam 35%.

Outro ponto de atenção é a tecnificação (uso de equipamentos e tecnologias agrícolas além da mecanização) na agricultura familiar. Em 2023, 35% dos estabelecimentos eram tecnificados. As metas para 2026 e 2033 são 43% e 66%, respectivamente.

O lançamento dos investimentos foi acompanhado por representantes do agro, setor pouco simpático ao governo. “A Indústria de Máquinas Agrícolas está totalmente preparada para cumprir as metas propostas pelo governo na política industrial da Nova Indústria Brasil”, garantiu Pedro Estêvão Bastos, diretor da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq) no evento.

Dólar bate novo recorde e atinge R$ 6,11 no último pregão de novembro

Dólar bate novo recorde e atinge R$ 6,11 no último pregão de novembro - Foto reprodução
Dólar bate novo recorde e atinge R$ 6,11 no último pregão de novembro – Foto reprodução

O dólar comercial atingiu R$ 6,11 na máxima desta sexta-feira (29), à espera de novas falas do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em evento da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), às 11h30. Os agentes financeiros não reagem bem ao anúncio de medidas fiscais do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O pacote de revisão de gastos busca economizar R$ 71,9 bilhões no governo (2025 e 2026) e R$ 327 bilhões de 2025 a 2030. Economistas avaliam que as medidas foram insuficientes e o governo tinha oportunidade de fazer uma revisão mais ampla dos gastos públicos.

BC (Banco Central) divulgou nesta 6ª feira (29.nov) que o deficit nominal do setor público consolidado –que inclui o pagamento de juros da dívida– somou R$ 1,093 trilhão no acumulado de 12 meses até outubro. Além disso, a dívida bruta ultrapassou R$ 9 trilhões pela 1ª vez na história e atingiu 78,6% do PIB (Produto Interno Bruto). Em proporção do PIB, está no maior patamar desde outubro de 2021.

A redução da taxa de desemprego para 6,2% no trimestre encerrado em outubro também está no radar dos investidores. A atividade econômica mais forte pressiona a inflação dos serviços.

Investidores avaliam que será necessário um ritmo mais forte de reajuste da taxa básica, a Selic, que está em 11,25% ao ano. O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, defendeu, em entrevista nesta 6ª feira (29.nov) à rádio CBN, que há uma “chantagem” nos agentes financeiros para elevar a taxa.

O dólar comercial superou R$ 6 pela 1ª vez na história na 5ª feira (28.nov), quando o governo apresentou as medidas de revisão de gastos. Junto com o anúncio, Haddad disse que irá aumentar para R$ 5.000 a isenção do IRPF (Imposto de Renda da Pessoa Física) até 2026. A renúncia fiscal será financiada, em parte, com a maior cobrança de impostos por pessoas que recebem mais de R$ 50.000 por mês.

Haddad anuncia isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil

Haddad anuncia isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil - Foto: reprodução
Haddad anuncia isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil – Foto: reprodução

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou na noite desta quarta-feira 27 a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que recebem até 5 mil reais por mês. A medida, prometida na campanha de Luiz Inácio Lula da Silva em 2022, deve entrar em vigor em 2026. Também foram anunciadas as linhas gerais de um pacote de ajustes fiscais.

O pronunciamento, transmitido em rede nacional, teve como objetivo apresentar o plano do governo para equilibrar o orçamento público diante do impacto financeiro causado pela isenção. O caminho até a implementação, contudo, será desafiador.

Atualmente, apenas quem recebe até 2.259,20 reais por mês está isento do Imposto de Renda. Com a ampliação, a nova faixa incluirá rendimentos de até 5 mil, o que beneficiará um enorme contingente de contribuintes – mais exatamente, 36 milhões, segundo cálculos da a Associação Nacional de Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco), quase 80% dos 46 milhões que declaram IR anualmente.

A mudança, contudo, deve trazer uma redução estimada de 40 bilhões a 65 bilhões de reais por ano na arrecadação federal. Para compensar essa perda, o governo propõe a taxação de lucros e dividendos superiores a 50 mil reais por mês. Hoje, lucros e dividendos são isentos de tributação, independentemente do montante.

Segundo o Ministério da Fazenda, a medida busca neutralizar o impacto fiscal – e depende de aprovação no Congresso Nacional.

Neimar Rossetto, contador e gerente de produtos no Grupo Nimbus, destaca a complexidade da aprovação. “A Lei de Responsabilidade Fiscal exige que a renúncia de receita venha acompanhada de uma fonte compensatória. A taxação sobre lucros distribuídos acima de 50 mil reais por mês parece ser o caminho escolhido, mas sua aprovação não será simples”, afirma.

Congresso, cortes e contrapartidas

O pronunciamento desta noite foi o primeiro passo em uma longa e complexa negociação. Por isso, o pacote foi dividido em dois projetos: um dedicado aos cortes de gastos e outro às mudanças na tributação. “O risco é que a isenção seja aprovada rapidamente, enquanto as novas tributações fiquem pelo caminho”, avalia Igor Lucena, economista da Amero Consulting. “Isso pressionaria ainda mais as contas públicas e ampliaria o descrédito entre os investidores.”

Para equilibrar a percepção pública das medidas, o governo optou por unir a isenção do IR ao pacote fiscal como forma. Entre as propostas estão mudanças nos benefícios militares, o fim dos ‘supersalários’ e um chamado para que beneficiários do Bolsa Família atualizem seus dados. Segundo o Ministério da Fazenda, essas medidas podem gerar uma economia anual de 30 bilhões a 40 bilhões de reais.

Marcelo John, advogado tributarista, destaca a importância dos ajustes para viabilizar a isenção. “As mudanças em benefícios militares e a revisão de gastos são sinais de que o governo está disposto a enfrentar áreas sensíveis para equilibrar o orçamento”, defende.

A reação do mercado financeiro

A expectativa sobre o anúncio provocou forte reação no mercado financeiro. O dólar disparou, ultrapassando os 5,90 reais, em um movimento que reflete a resistência da Faria Lima à proposta e seu ceticismo quanto à disposição fiscalista do governo.

Lucena resume essa perspectiva. “A ampliação da isenção do IR é vista como positiva para os trabalhadores, mas o mercado está cético sobre como o governo irá compensar essa perda de receita”, explica. “A taxação de ultra-ricos, por exemplo, enfrenta desafios práticos, já que muitos podem transferir seus recursos para holdings ou buscar vantagens fiscais no exterior.”

Para Marcos Moreira, sócio da WMS Capital, a reforma da tabela de Imposto de Renda para pessoa física foi uma das principais pautas do governo Lula durante a corrida presidencial em 2022, então já era esperado que em algum momento o tema voltaria ao radar, no entanto, o fato de vir em um momento que o mercado espera o anúncio do pacote de contenção de gastos gerou um cenário de grande aversão a risco.

“Após vazamento dessa possível isenção de IR, o mercado passou a precificar juros próximos a 14% na parte intermediária da curva de juros, o que será necessário, caso esse cenário se confirme, para conter o avanço do dólar e da inflação”, disse Moreira.

José Cassiolato, sócio da RGW Investimentos, afirmou que a reação do mercado em antecipação ao anúncio de medidas fiscais reforça a importância de uma comunicação clara e estratégica ao longo do processo de revisão das contas públicas. Para ele, a falta de alinhamento entre intenção e narrativa tem um custo significativo, tanto em termos de percepção quanto de volatilidade no mercado.

“Não acreditamos que faz sentido estimar o impacto fiscal da proposta de isenção para pessoas físicas com rendimentos mensais de até R$ 5 mil isoladamente, é evidente que a redução na arrecadação proveniente dessa medida, cujo objetivo é promover maior progressividade tributária, precisaria ser compensada por ajustes em outras áreas. É importante destacar que exemplos internacionais de políticas de tributação da poupança doméstica já demonstraram riscos de fuga de capitais. Esse é um ponto sensível que desperta preocupações legítimas entre investidores brasileiros sobre os efeitos práticos de iniciativas que, apesar de bem-intencionadas, podem ter consequências adversas.”, disse Cassiolato.

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