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Professores da rede estadual iniciam greve em Minas após impasse sobre reajuste

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Professores da rede estadual iniciam greve em Minas após impasse sobre reajuste – Foto: reprodução

Trabalhadores da rede estadual de educação de Minas Gerais decidiram iniciar greve por tempo indeterminado a partir desta quarta-feira (4/3). A paralisação foi confirmada pelo Sind-UTE/MG após assembleia da categoria e ocorre em meio a impasse sobre a recomposição salarial anunciada pelo governo estadual.

A principal reivindicação é a recomposição de 41,83%, percentual que, segundo o sindicato, corresponde às perdas acumuladas entre 2019 e 2025. A entidade também cobra a aplicação integral do reajuste previsto na Portaria nº 82/2026 do MEC, que fixou o Piso Salarial Profissional Nacional do Magistério em R$ 5.130,63 para 2026.

A coordenadora-geral do Sind-UTE/MG, Denise de Paula Romano, afirma que a greve é uma forma de resistência diante da defasagem salarial acumulada ao longo dos últimos anos. Segundo ela, além das perdas inflacionárias, os profissionais enfrentam aumento da carga de trabalho, redução de direitos e condições precárias nas escolas.

Governo anuncia reajuste de 5,4%

Horas antes da confirmação da greve, o governador Romeu Zema (Novo) anunciou reajuste linear de 5,4% para cerca de 673 mil servidores ativos, aposentados e pensionistas da administração direta e indireta do Estado. O percentual será retroativo a 1º de janeiro de 2026 e o projeto de lei será encaminhado à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

De acordo com o Executivo, o impacto estimado é de aproximadamente R$ 3,4 bilhões anuais na folha de pagamento. O governo argumenta que a recomposição assegura que o vencimento inicial do magistério volte a corresponder ao valor proporcional do piso nacional da categoria, destacando a necessidade de equilíbrio fiscal.

Em nota, Zema afirmou que o reajuste será enviado ao Legislativo para aprovação “o quanto antes” e ressaltou que a responsabilidade com as contas públicas é fundamental para garantir sustentabilidade financeira ao Estado.

Sindicatos criticam índice

O Sind-UTE/MG reagiu com críticas ao percentual anunciado, afirmando que o índice não recompõe as perdas acumuladas nem representa ganho real para os profissionais da educação. A entidade sustenta que o reajuste não cobre a defasagem salarial registrada nos últimos anos.

Levantamentos citados por representantes do funcionalismo indicam que, desde 2019, a Receita Corrente Líquida do Estado mais que dobrou, enquanto a inflação acumulada no período superou os reajustes gerais concedidos aos servidores. Para os sindicatos, o cenário demonstraria margem para recomposição mais ampla.

Outras entidades representativas do funcionalismo também manifestaram insatisfação, alegando falta de diálogo prévio com o governo e defendendo a construção de uma política permanente de recomposição inflacionária.

Paralisação mantida

Mesmo com o anúncio do reajuste linear, o Sind-UTE/MG confirmou a manutenção do calendário de greve. A paralisação começa nesta quarta-feira (4/3) e será por tempo indeterminado.

A categoria afirma que continuará mobilizada até que haja negociação e apresentação de proposta que contemple a recomposição reivindicada. O governo, por sua vez, mantém o posicionamento de que o percentual anunciado é compatível com a atual realidade fiscal do Estado.

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